Automação na sala de ordenha
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sexta-feira, 25 de julho de 1997
Cláudia Barberato 
O medidor lácteo na sala de ordenha. De acordo com Rubinchik, ajuda no controle da mastiteQuando a vaca deixa a sala de ordenha, as informações ficam contigo. Este é o slogan de um sistema computadorizado de manejo para gado leiteiro, desenvolvido num kibutz de Israel pela empresa S.A.E. Afikim, que está chegando ao Brasil. O sistema foi desenvolvido a partir de experiências da fazenda instalada no kibutz, que hoje possui rebanho de 320 vacas em lactação.
Funcionando em 40 países incluindo Estados Unidos, Europa, Japão e vários da América Latina, o software do sistema auxilia o produtor de leite não só nas informações diárias sobre o rebanho, mas também na produção de leite, condição sanitária e reprodutiva,e fornece um controle mensal da situação dos animais.
Outra vantagem, segundo Yoel Rubinchik, do Departamento de Marketing da empresa, é que através dos gráficos na tela do computador, resultado de informações diárias sobre o rebanho, pode-se fazer a detecção automática de cio, diagnóstico antecipado de mastite, análise da produção diária e melhorar a eficácia de alimentação através de decisões individuais no arraçoamento do concentrado. Pode-se ainda saber quais animais a inseminar; quais irão para o descarte, entre outras informações, facilitando a vida do produtor.
Dorico da SilvaIndicadorNo computador, através das informações cruzadas, produtor poderá tomar decisões de manejo
PedômetroAs informações chegam ao computador através de sinais enviados pelo pedômetro, peça instalada numa das pernas do animal. O pedômetro transmite sinais através de antenas que ficam na sala de ordenha, cochos e outras instalações da propriedade. Ele permite contar os passos dos animais e saber, por exemplo, que quando uma vaca caminha mais e reduz sua produção leiteira está no cio; ou, quando caminha menos e também há queda na sua produção diária, esta doente.
O sistema também engloba o medidor lácteo que mede a condutividade do leite em cada ordenha. Através da condutividade é que se pode fazer um diagnóstico antecipado de mastite. Mede também o volume de leite produzido por animal. A partir desta informação é que entra em funcionamento o sistema computadorizado de alimentação. No cocho a vaca receberá a alimentação de acordo com sua produção diária.
MastiteO medidor lácteo transmite os dados de produção de leite para o computador, que comprara médias dos dias anteriores. Estudos demonstram que o aumento da condutividade elétrica do leite, com decréscimo de produtividade, indicam problemas de mastite, enfermidade que pode reduzir bastante a produção leiteira, com descarte do produto e prezuízo para o produtor.
De acordo com Rubinchik, o sistema poderá alertar o produtor precocemente para problemas de mastite no rebanho, o que representa economia em uso de medicamentos, podendo até ser evitados com mais uma ordenha do animal, reduzindo em 80% as perdas causadas pela doença.
Menos tempoComparando dados individuais por animal ou de lotes inteiros toda manhã, segundo Rubinchik, o produtor estará economizando tempo. Assim poderá destinar mais tempo para outras atividades dentro da fazenda, apostando na diversificação da propriedade. O acúmulo das informações sobre o rebanho também auxilia na programação anual de manejo; saber quais vacas descartar, o melhor sêmen a utilizar nas vacas, entre outras.
Ao cadastrar inicialmente seu rebanho no computador, ele terá que estipular um padrão de produção para os animais. Mais tarde, quando este padrão sofrer uma alteração, o sistema será capaz de alertar qualquer desvio do normal e fornecer informações necessárias para uma tomada de decisões.
Rubinchik garante que em Israel 80% das propriedades têm um sistema computadorizado de ordenha. O rebanho israelente, segundo Rubinchik, produz em média 11 mil litros de leite por lactação, considerada a maior produção do mundo.
No Brasil a viabilidade de um sistema como este, analisa o técnico da empresa, pode estar nas propriedades com melhor nível tecnológico e que trabalham pela qualidade do leite. O investimento para adoção, de acordo com Rubinchik, depende da realidade de cada produção e do preço do leite no local onde está instalada a propriedade. Em Israel, por exemplo, o sistema se paga em três anos.
Rubinchik avisa que o produtor interessado em instalar o sistema não terá que conhecer muito de computador mas conhecer de vacas. E continua: o sistema todo se apresenta em gráficos que ele terá que analisar. Inicialmente terá que cadastrar seu rebanho, dando números aos animais.


