O casal Ildo e Anete dal Sasso, de Rolândia (25 km a oeste de Londrina), nunca esperou obter tanto sucesso com a venda de conservas e geléias. Trabalhando há mais de 30 anos no setor têxtil, eles decidiram mudar de ramo em 2001 e a primeira idéia foi investir nas receitas que aprenderam na infância. ''Queríamos preencher as prateleiras dos mercados com produtos diferenciados e nada melhor que os doces da vovó para conquistar o consumidor'', assinala Anete.
A idéia deu tão certo que quatro anos depois a empresa já não comporta a demanda de pedidos. O motivo de tanta prosperidade, segundo dal Sasso, é a qualidade dos produtos, garantida pela experiência e profissionalismo adquiridos com os cursos oferecidos pela Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater), por meio do Programa Agroindustrial Familiar Rural, também conhecido como Fábrica do Agricultor.
Segundo dados do Departamento de Desenvolvimento Agropecuário da Secretaria Estadual da Agricultura e Abastecimento (Seab), o programa, que recebe recursos do Paraná 12 Meses e da Agência de Fomento, auxilia 716 famílias, responsáveis por 350 agroindústrias familiares em todo o Estado. Na região de Londrina, a Fábrica do Agricultor abrange 19 municípios e conta com mais de 200 empreendedores agroindustriais sendo que 80 deles já comercializam sua produção no mercado regional.
De acordo com Eduardo Alves da Silva, chefe interino do núcleo regional da Seab em Londrina, muitas vezes os próprios produtores se organizam em grupos e criam pequenas empresas para facilitar a comercialização da produção. Neste caso, os agricultores conseguem agregar valor ao produto final, eliminando intermediários. ''É comum também as empresas industrializarem produtos do campo com o intuito de ganhar novos mercados'', afirma Silva.
É o caso da família dal Sasso, que apesar de já saber fazer geléia, teve sua produção incrementada pelo acompanhamento técnico da Emater. ''Nos cursos aprendemos a tirar o máximo da matéria-prima e hoje, com 15 quilos de fruta, conseguimos produzir até 150 vidros de geléia, enquanto que no início produziamos apenas 50 vidros'', declara Anete.
Os ingredientes são escolhidos pessoalmente pelo casal, que possui cerca de 10 fornecedores de frutas sazonais. Já os alimentos cultivados o ano todo são comprados diretamente dos produtores, no Ceasa. A empresa comercializa cerca de 30 ítens entre conservas, relishes, chutneys e geléias apimentadas e doces. O destaque é o relish de pepino, uma salada agridoce que teve sua receita adaptada por Anete e que hoje é encontrada no sabor carambola, exclusividade da empresa. A produção diária gira em torno de 100 potes e emprega três pessoas. ''Nossa demanda dobra a cada ano que passa, mas a produção está comprometida pela falta de espaço'', lamenta dal Sasso.
A meta do casal é adquirir uma chácara de até dois alqueires para instalar mais máquinas e contratar mais funcionários. ''Também pretendemos cultivar grande parte dos alimentos utilizados na fabricação dos produtos, principalmente as frutas'', promete Anete.

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