Ausência de rede elétrica derruba preço da terra
Problemas com a falta de luz não são exclusividade do produtor José Raimundo. O casal João Vicente, 72 anos, e Terezinha Bezerra Vicente, 59, estão doentes e não têm mais condições de tocar o sítio de 6 alqueires. Até o ano passado eles ainda cultivavam arroz, feijão e milho para subsistência, mas com o agravamento do estado de saúde do produtor, nem isso podem mais fazer. O casal está tentando vender a propriedade, mas a ausência da rede elétrica além de não despertar o interesse de compradores ainda derrubou o valor do imóvel. Eles têm apenas uma filha, casada, que não tem condições de ajudá-los.
João também estava inscrito no programa ''Luz no Campo'', desde 2001. Uma das cláusulas do contrato assinado com a Copel determinava a instalação do serviço no prazo máximo de um ano. ''Já se passaram quase quatro anos e até agora nada'', reclama Terezinha. O casal mora sozinho no sítio cujo acesso é difícil. Eles não têm carro e precisam andar cerca de três quilômetros para chegar até a estrada de maior circulação de veículos. Quando o produtor sofre crises do problema cardíaco que o afeta, ele não consegue andar nem mesmo 100 metros. ''Corremos o risco de morrermos aqui sozinhos'', teme a esposa. Os dois sobrevivem com o dinheiro da aposentadoria, dois salários mínimos mensais. ''Só com os remédios gastamos metade da aposentadoria'', afirmam.
Segundo a assessoria de imprensa da Copel, o serviço de eletrificação rural no Paraná atinge 90% dos municípios e Sapopema está na parcela restante, a dos municípios considerados de difícil acesso, onde o atendimento às demandas é mais lenta. De acordo com a assessoria, o programa ''Luz no Campo'' foi inviabilizado por problemas administrativos enfrentados pela estatal e pelo elevado número de solicitações. Ainda segundo a assessoria, desde 2004, quando o governo federal instituiu o programa ''Luz para Todos'', os pedidos ainda não atendidos foram considerados prioritários mas ainda não há data certa para isso. (C.G.)





