Produtor rural e presidente da Associação dos Produtores de Mandioca de Paranavaí, Cleto Lanziani Janeiro iniciou na atividade em 1985. Como 95% dos cerca de 2 mil produtores da região, ele só trabalha pelo sistema de arrendamento. Em conversa com a reportagem da FOLHA, ele comenta que em todos esses anos nunca tinha visto preços tão elevados.
Segundo o produtor, o momento está sendo de recuperação, já que durante os seis anos anteriores, com a quebra de safra no Nordeste do País, a situação não era muito favorável. "Foram anos complicados. Quem permaneceu na cultura agora está se recuperando bem. Muitos estão pagando dívidas do passado", explica ele.
Janeiro, que trabalha em áreas arrendadas que totalizam 57 alqueires, não deixa de lembrar que está ganhando dinheiro agora quem plantou há um certo tempo, já que o ciclo da mandioca é longo. "Os últimos dois anos foram muito bons para os que persistiram e acredito que este ano ainda será interessante."
Na região Noroeste, cerca de 20 fecularias em atividade e mais 40 farinheiras competem pela mandioca dos produtores. O número de farinheiras, segundo o presidente da associação, é o dobro de alguns anos atrás. "Muitas farinheiras estavam inativas aqui na região, mas como a cultura está gerando lucros, elas voltaram a funcionar nesses últimos anos e estão competindo com as fecularias, oferecendo bons preços ao produtor", relata.
Apesar do ótimo momento, ainda há dúvidas do que acontecerá com a cultura em 2015. O temor é que este aumento abrupto de oferta acabe retraindo os preços drasticamente. O próprio Janeiro disse que irá reduzir a área de plantio para o novo ciclo, justificado pelo aquecimento do mercado atual. "Estou reduzindo as áreas pensando na diminuição do custo. A situação agora está boa, mas quem garante o que acontecerá no ano que vem?", questiona ele. (V.L.)

mockup