País vai colher 40,8 milhões de t, um recorde, apesar da quebra em algumas regiões. Câmbio alto e forte demanda mundial mantêm liquidez mesmo com aumento da oferta
Curitiba - O Brasil deve colher nesta safra 40,8 milhões de toneladas de soja, um volume recorde mesmo com quebra de safra em alguns Estados produtores. O levantamento foi divulgado na terça-feira pela FNP Consultoria. O Paraná também terá novo recorde na produção do grão, de 9,5 milhões de toneladas, 14% a mais que na safra passada. Para analistas, como a cotação da soja está alta, a tendência é que a produção continue aumentando nos próximos anos.
Segundo o consultor do mercado de grãos da FNP, Adriano José Timossi, a soja é uma cultura garantida e que tem liquidez, e por isso é tão atrativa para os produtores. ‘‘Aqui no Brasil a cultura também está favorecida pelo câmbio alto, já que quase tudo é exportado’’, observou. Para ele, a aprovação da Farm Bill nos Estados Unidos, lei agrícola que aumenta os subsídios dos produtores locais, pode beneficiar o Brasil em vez de prejudicar, como muitos órgãos e analistas prevêem. ‘‘A Farm Bill colabora mais para a cultura do milho, então os Estados Unidos devem ter uma migração da soja para o milho, o que diminui a oferta mundial’’, analisou.
O corretor José Santos, da Correpar, também disse que os preços da soja continuam altos e devem continuar atraindo produtores. ‘‘Nunca havia se operado com preço tão bom quanto no ano passado. Isso realmente incentivou o produtor’’, afirmou. Segundo ele, no ano passado a saca de soja para exportação chegou a ser cotada a R$ 30,00. ‘‘Esse ano estamos caminhando para o mesmo patamar, já que hoje temos a saca a até R$ 28,00 e R$ 29,00’’, relatou.
Os bons preços da soja refletem em toda a economia do Paraná, que é o segundo maior produtor nacional, atrás de Mato Grosso do Sul, que deve produzir 10,2 milhões de toneladas. ‘‘Na produção o Estado é o segundo, mas tem o maior parque industrial do complexo de soja, já que 30% das indústrias do setor estão aqui’’, disse o analista técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Paraná (Ocepar), Robson Mafioletti. Segundo ele, o preço pago ao produtor no interior está em torno de R$ 22,00 a R$ 23,00. ‘‘Mas estão todos satisfeitos com a produção’’, salientou.
A receita com as exportações do complexo soja no ano passado renderem US$ 1,657 bilhão ao Paraná, 31% do total exportado (US$ 5,31 bilhões). ‘‘Se a produção aumentou 14% e as exportações aumentarem 10%, teremos uma receita de US$ 1,82 bilhão’’, observou. Para Mafioletti, o Estado só vai ter novos recordes de produção de soja se hpuver um disparo na cotação. ‘‘No Paraná não há mais área apta para o plantio. Do ano passado para este, houve aumento de 16% na área plantada de soja, mas isso acarretou em redução de 20% da área de milho’’, afirmou.

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