Estudos de risco conduzidos pelo pesquisador José Gomes, do Iapar, levaram à verificação, para cada região, das combinações com maior probabilidade de sucesso. O objetivo da pesquisa foi determinar as possibilidades de ocorrência de veranicos, de janeiro a julho, e geadas, para avaliar estes fatores durante a emergência e a floração das plantas. Foram considerados como veranicos os períodos de dias secos que completassem quinze dias na primeira, na segunda ou na terceira dezenas de cada mês, sendo dia seco aquele com precipitação pluvial inferior a 5 mm. Dias com geada foram aqueles com temperatura mínima de abrigo inferior a 3 graus centígrados.
Os resultados para a região Nordeste do Paraná, representada pelos dados de Bandeirantes e Cambará, indicam que a semeadura em janeiro-março está menos sujeita a veranicos no estabelecimento da cultura. No entanto, há restrições, devido a veranicos na floração, para as semeaduras de abril em Cambará. Nas semeaduras de 15 de março, as geadas são esperadas na época de floração das plantas, com probabilidade de 30% e, nas semeaduras de abril, com 70% para os dois locais. Esses riscos têm restringido as semeaduras de forma coerente, pois em Cambará a área cultivada chegou a 12 mil ha na última safra, enquanto em Bandeirante foram cultivados 57 mil ha.
Centro-NorteAinda de acordo com os estudos feitos por José Gomes, a região Centro-Norte, representada por Londrina e Bela Vista do Paraíso, com área cultivada de 50 mil ha, apresenta limitações para implantação da cultura em março, devido a até 30% de probabilidade de ocorrer veranico. Quanto aos riscos no florescimento, as semeaduras de fim de março estão sujeitas a veranicos e aquelas feitas no início de abril têm probabilidade superior a 50%, de apanhar um veranico.
Na região Noroeste (Umuarama e Paranavaí), com área cultivada de 13 mil ha, são esperadas, na implantação da cultura, as mesmas dificuldades observadas nas regiões anteriores. Para o florescimento, o mês mais favorável é maio, em face da redução da probabilidade de veranicos e geadas, sobre as semeaduras em fevereiro. De forma semelhante, na região Centro-Norte (Apucarana), as geadas são esperadas com 50% de probabilidade no florescimento das semeaduras ocorridas em meados de abril.
A região Centro-Oeste (Campo Mourão e Cianorte) apresenta condições favoráveis às semeaduras de janeiro a fevereiro, e florescimento em maio. Essa região, cuja área cultivada é de 150 mil ha, revela o menor risco de ocorrência de geadas no Estado.
A baixa probabilidade de veranicos em maio parece ser uma característica das regiões Nordeste, Centro-norte e Noroeste do Paraná, sendo mais pronunciada na Nordeste.
Diferentes situaçõesA região Sudoeste, representada por Palotina e Cascavel, mostra duas áreas distintas. A de Cascavel não apresenta restrições para semeadura, com baixa probabilidade de veranicos, porém, elevado risco de perdas na floração devido a geadas nas semeaduras no início de março. A de Palotina revela riscos de veranicos durante todo o ciclo da cultura e de geadas apenas para os cultivares tardios semeados em fins de março. Essa região, com área superior a 200 mil ha, é a de maior tradição nesta época de cultivo.
A região Centro-Sul (Ponta Grossa) tem uma área cultivada de 10 mil ha, limitada a microclimas, cujo regime térmico permite a colheita da safra normal em tempo de semear a ‘‘safrinha’’ e de as plantas florescerem antes das geadas. Não há limitações devidas a veranicos.
A região Sul, onde ficam Pato Branco e Francisco Beltrão, tem área cultivável de 40 mil ha. Os regimes térmico e hídrico são semelhantes aos do Centro-Sul, cuja exploração foi viabilizada nos microclimas adequados ou com semeadura da ‘‘safrinha’’ antes da colheita da safra normal. Essa semeadura antecipada, de forma intercalar, permite que as plantas frutifiquem antes das geadas.
José Gomes explica que este estudo foi desenvolvido em macrorregiões, para orientar a exploração da ‘‘safrinha’’. Mostrou que a época de semeadura com menores riscos de perdas por eventos climáticos, em todo o Paraná, é a que corresponde aos meses de janeiro e fevereiro. Predominando, em algumas regiões, o mês de fevereiro, pelas menores probabilidades de veranico em maio. ‘‘Dentro das épocas preferenciais, os riscos ainda podem ser reduzidos pela semeadura de cultivares de ciclos mais adequados a microclimas mais favoráveis’’, diz o pesquisador.

mockup