Curitiba - O Plano Safra 2003/2004 para a Agricultura Familiar deverá ampliar os recursos destinados ao Programa Nacional de Apoio à Agricultura Familiar (Pronaf) em 60%. A previsão do secretário da Agricultura Familiar, Valter Bianchini, é que sejam aplicados no crédito de custeio e de investimentos, R$ 4 bilhões. Esse foi o valor previsto para a safra 2002/2003, que se encerra em junho. Mas segundo Bianchini, apenas R$ 2,5 bilhões foram aplicados na Agricultura Familiar.
Com esses recursos será possível ampliar o número de beneficiados de 1,0 milhão para 1,3 milhão de agricultores. No Paraná, o número de beneficiários um total de 100 mil agricultores na atual safra, deverá crescer em cerca de 40%. A expectativa é que sejam alocados para o Estado, entre R$ 270 milhões a R$ 300 milhões.
Parte dos recursos será garantida pelo Tesouro e pelo Fundo de Amparo ao Trabalhor (FAT). O Ministério do Desenvolvimento Agrário está buscando outras fontes como recursos da poupança, do Banco do Brasil e também das exigibilidades bancárias, cujo volume é pouco aplicado no Pronaf. Outra forma de ampliar os recursos será a desburocratização para barater o crédito.
No Paraná, a parceria entre os governos federal e estadual deverá dinamizar a execução do Pronaf. O governo do Paraná acena com a possibilidade de lançar ainda este ano o Fundo de Aval para complementar a linha de crédito da agricultura famíliar. Outra iniciativa para fortalecer o Pronaf será a ampliação do número de técnicos disponíveis para dar assistência técnica aos agricultores familiares. O governo estadual está pensando ainda em lançar o ''juro zero'' para os financiamentos de culturas estratégicas da agricultura famíliar. O diferencial de juros da linha de crédito poderá ser bancado pelo Tesouro Estadual, informou Simioni. No Pronaf, os juros são de 4% ao ano.
Os municípios paranaenses que se situam abaixo do paralelo 24 são mais dependentes dos recursos do Pronaf. Pequenos municípios como Cruz Machado, na região de União da Vitória, Capanema e Renascença na região de Francisco Beltrão e Prudentópolis e Imbituva, são tão dependentes que as Associações Comerciais Regionais já defendem um volume maior nos recursos dessa linha de crédito, informou Nelson Fracaro, coordenador do Pronaf, na Emater-PR.
O comércio já percebeu a força dos recursos pulverizados. Quando o produtor tem acesso a maior volume de recursos ele barganha com a indústria e compra diretamente das grandes empresas. Quando os recursos são menores, como no caso do Pronaf, em que os beneficiários são muitos, a compra de produtos vai correr no comércio local, o que dinamiza a economia regional.
Conforme levantamento da Emater, a região que apresenta maior volume de projetos para captação de recursos do Pronaf é a de Francisco Beltrão, seguida de Pato Branco. Predominam nessas regiões pequenos produtores com características de empreendedores, daí uma busca maior pelo crédito oficial, justificou Fracaro.
Os municípios das regiões de Garapuava, Cascavel, Toledo, Irati, Ponta Grossa e Ivaiporã também lideram em apresentações de projetos. Já nos municípios da região Norte, Noroeste e Norte Pioneiro, a demanda por crédito do Pronaf é reduzida. Produtores de municípios como Londrina, Paranavaí, Cornélio Procópio, Maringá, Apucarana e Umuarama têm características mais individualistas e por isso demandam pouco crédito da agricultura familiar. Eles têm a seu favor melhores condições de solo e por isso preferem linhas de crédito individuais, disse Fracaro.
Os agricultores dessas regiões têm renda bruta anual mais elevada, o que dificulta o enquadramento no Pronaf. Além disso, nas regiões abaixo do paralelo 24, a característica dos produtores facilita a união deles em associação. Uma das vantagens é a captação de financiamento em grupo, quando os produtores se beneficiam do rebate da ordem de R$ 700,00, no momento da quitação do financiamento.
Apesar disso, o programa precisa de correções, admite Francisco Simioni. Entre elas, nunca foi feita uma leitura sobre os resultados apresentados e o impacto que o Pronaf vem provocando no meio rural.

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