O Paraná vai produzir mais álcool (12%) e açúcar (mais de 40%) na safra que está terminando, garantindo o abastecimento interno e um excedente para a comercialização com outros Estados, inclusive para exportação. Pelos cálculos do presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Ermeto Barea, são 1,25 bilhões de litros de álcool e 18 milhões de sacas de açúcar. O consumo no Paraná é de 950 milhões de litros de álcool e 15 a 16 milhões de sacas de açúcar.
Mas a falta de incentivo no setor deve começar a refletir na produção a partir do próximo ano. Barea acredita que a área de plantio, que este ano ficou em torno de 300 mil hectares, pode ser até 8% maior na próxima safra. A maior parte da cana colhida, porém, deve ser direcionada para a produção de açúcar. ‘‘O problema está no álcool, que pode sofrer uma retração pela falta de definição de uma política imediata’’, explica ele.
Preços defasados Segundo Barea, os preços do setor sucro-alcooleiro acumulam uma defasagem média de 16%, e não existe perspectiva de melhora. ‘‘Estávamos esperando uma reação com a liberação dos preços, que seria adotada a partir de janeiro próximo. Mas agora o Governo transferiu a medida para maio’’, lamenta. A situação já tem causado a insolvência de algumas usinas. No Paraná duas destilarias já fecharam as portas, e outra pode encerrar a produção na próxima safra.
Pelos cálculos do presidente da Alcopar, US$ 100 milhões ao ano deixam de circular na economia do Estado. ‘‘E isso faz falta, principalmente, em pequenos municípios’’, afirma. Barea acredita que apenas estas três unidades poderiam estar gerando de oito mil a 10 mil empregos em todo segmento. No Paraná, lembra ele, a colheira ainda é totalmente manual, e os trabalhadores rurais já não têm o algodão para garantir o emprego.
Barea revela ainda que apesar da área de plantio estar crescendo, alguns municípios estão perdendo a cultura. A cana-de-açúcar é a melhor opção nas áreas do arenito caiuá, onde a soja e o trigo não vão bem. Com o fim das lavouras de algodão, os proprietários preferem a cana ao pasto. Hoje, explica Barea, o dono de área arrendada pelas usinas recebe em média 12 a 15 toneladas por hectare, o que garante um rendimento acima do alcançado pela criação de gado.
A produtividade da cana nas regiões Norte e Noroeste do Estado, segundo dados da Alcopar, chega a 85 toneladas por hectare. Volume acima da média nacional. O clima também tem ajudado e com mais tecnologia as usinas estão conseguindo superar a produção a cada ano. ‘‘Falta apenas o apoio do Governo, para manter uma atividade estratégica e de grande importância social’’, afirma Barea.
Ele explica que se o Governo adotasse o álcool combustível para o transporte de massa em grandes centros, estaria solucionando dois problemas: primeiro, viabilizando o sistema de produção da cana no campo e nas indústrias; o segundo, reduzindo a emissão de gases poluentes. ‘‘Existem ainda outras tantas vantagens’’, afirma Barea. Ele cita a redução da importação de petróleo, a manutenção de uma tecnologia elogiada pelos países desenvolvidos e a garantia de milhões de empregos no campo e nas cidades.
O Governo, para Barea, não calcula os gastos que poderá assumir com o fim do Proálcool. ‘‘O Governo mantém um subsídio de US$ 1 milhão ao Proálcool, mas não calcula o que economiza na área social’’, afirma. Ele alerta que se mais usinas fecharem, o Governo vai sentir o peso do setor no seguro-desemprego. Hoje o setor emprega em todo o País mais de 1,5 milhão de trabalhadores.

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