Aumenta a produção paranaense
PUBLICAÇÃO
sábado, 14 de dezembro de 1996
Marcos Zanatta<br> Sucursal de Maringá 
O Paraná vai produzir mais álcool (12%) e açúcar (mais de 40%) na safra que está terminando, garantindo o abastecimento interno e um excedente para a comercialização com outros Estados, inclusive para exportação. Pelos cálculos do presidente da Associação dos Produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar), Ermeto Barea, são 1,25 bilhões de litros de álcool e 18 milhões de sacas de açúcar. O consumo no Paraná é de 950 milhões de litros de álcool e 15 a 16 milhões de sacas de açúcar.
Mas a falta de incentivo no setor deve começar a refletir na produção a partir do próximo ano. Barea acredita que a área de plantio, que este ano ficou em torno de 300 mil hectares, pode ser até 8% maior na próxima safra. A maior parte da cana colhida, porém, deve ser direcionada para a produção de açúcar. O problema está no álcool, que pode sofrer uma retração pela falta de definição de uma política imediata, explica ele.
Preços defasados Segundo Barea, os preços do setor sucro-alcooleiro acumulam uma defasagem média de 16%, e não existe perspectiva de melhora. Estávamos esperando uma reação com a liberação dos preços, que seria adotada a partir de janeiro próximo. Mas agora o Governo transferiu a medida para maio, lamenta. A situação já tem causado a insolvência de algumas usinas. No Paraná duas destilarias já fecharam as portas, e outra pode encerrar a produção na próxima safra.
Pelos cálculos do presidente da Alcopar, US$ 100 milhões ao ano deixam de circular na economia do Estado. E isso faz falta, principalmente, em pequenos municípios, afirma. Barea acredita que apenas estas três unidades poderiam estar gerando de oito mil a 10 mil empregos em todo segmento. No Paraná, lembra ele, a colheira ainda é totalmente manual, e os trabalhadores rurais já não têm o algodão para garantir o emprego.
Barea revela ainda que apesar da área de plantio estar crescendo, alguns municípios estão perdendo a cultura. A cana-de-açúcar é a melhor opção nas áreas do arenito caiuá, onde a soja e o trigo não vão bem. Com o fim das lavouras de algodão, os proprietários preferem a cana ao pasto. Hoje, explica Barea, o dono de área arrendada pelas usinas recebe em média 12 a 15 toneladas por hectare, o que garante um rendimento acima do alcançado pela criação de gado.
A produtividade da cana nas regiões Norte e Noroeste do Estado, segundo dados da Alcopar, chega a 85 toneladas por hectare. Volume acima da média nacional. O clima também tem ajudado e com mais tecnologia as usinas estão conseguindo superar a produção a cada ano. Falta apenas o apoio do Governo, para manter uma atividade estratégica e de grande importância social, afirma Barea.
Ele explica que se o Governo adotasse o álcool combustível para o transporte de massa em grandes centros, estaria solucionando dois problemas: primeiro, viabilizando o sistema de produção da cana no campo e nas indústrias; o segundo, reduzindo a emissão de gases poluentes. Existem ainda outras tantas vantagens, afirma Barea. Ele cita a redução da importação de petróleo, a manutenção de uma tecnologia elogiada pelos países desenvolvidos e a garantia de milhões de empregos no campo e nas cidades.
O Governo, para Barea, não calcula os gastos que poderá assumir com o fim do Proálcool. O Governo mantém um subsídio de US$ 1 milhão ao Proálcool, mas não calcula o que economiza na área social, afirma. Ele alerta que se mais usinas fecharem, o Governo vai sentir o peso do setor no seguro-desemprego. Hoje o setor emprega em todo o País mais de 1,5 milhão de trabalhadores.


