Nem seo Antonio, nem Maria do Carmo reclamam da rotina de manejo da criação de bicho-da-seda. Isso porque a rentabilidade depende diretamente da dedicação do produtor. Cortar amora pela manhã e no fim da tarde, acompanhar a alimentação das lagartas durante o dia para saber quando repor as folhas frescas de amoreira, manter as caixas limpas e ventiladas para garantir a temperatura ideal para o desevolvimento dos bichos, capinar, estercar e podar a lavoura de amora são apenas algumas das tarefas diárias dos sericicultores.
  O técnic o agrícola Oswaldo da Silva Pádua, da Emater de Nova Esperança, explica que 70% dos custos de produção são destinados ao pagamento da mão-de-obra, enquanto 30% representam investimentos em insumos. ‘‘Por isso é uma atividade tão rentável para os pequenos agricultores’’, diz.
  No entanto, ele ressalta que a sericicultura deve ser inclusa num projeto de diversificação da propriedade. ‘‘Em Nova Esperança, por exemplo, a criação de bicho-da-seda complementa a produção de laranja, de cana, de mandioca, de café, além da avicultura de postura e de corte e da bovinocultura de leite e corte’’, enumera.
  Segundo Pádua, o município é o maior produtor nacional de casulos. No ano passado, as 639 famílias entregaram 1.052 milhão de quilos de casulos verdes aos entrepostos da Fiação de Seda Bratac, de Londrina, e da Fujimura do Brasil, de Cornélio Procópio. ‘‘O valor bruto da produção foi de R$ 6,4 milhões’’, calcula.
  Ainda de acordo com o técnico da Emater, a área destinada à sericicultura em Nova Esperança corresponde a 15% da área total do Estado e a atividade representa 16,43% da produção estadual de casulos. ‘‘A criação envolve 1,9 mil pessoas e responde por 14,7% da produção brasileira de casulos verdes’’, conclui Pádua. (M.G.)

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