Atividade econômica & pesquisa
Jota Oliveira
Nos dias 9 a 14 de agosto cientistas estrangeiros e brasileiros estarão reunidos em Fortaleza, CE, à procura de tecnologias de combate às doenças que atacam lavouras. Existem muitos métodos de controle de pragas e doenças, porém essas também são muitas e sempre aparecem problemas estranhos, talvez frutos de uma globalização que já vem sendo notada há bastante tempo, desde, por exemplo, que chegaram ao Brasil, no bolso do militar Francisco de Mello Palheta, as primeiras sementes de café. Com aquelas sementes, chegaram doenças que, assim como o café, não existiam ainda no Brasil. Muitos anos depois o bicudo, preocupação maior dos cotonicultores americanos, também chegava sem ser esperado e logo se espalhava do Nordeste aos algodoais do Sudeste e do Paraná. Outros males continuam vindo, e os pesquisadores saem à procura de soluções.
Soluções para os probemas sanitários das plantações brasileiras é o que os cientistas procurarão, reunidos no 31º Congresso Brasileiro de Fitopatologia, patrocinado pela Embrapa Agroindústria Tropical e outras instituições. Está prevista a participação de cinco cientistas estrangeiros, sete cientistas da Embrapa e 25 representantes de outras instituições e empresas brasileiras. As discussões, diz a Embrapa, envolverão toda a cadeia produtiva, desde as doenças adquiridas pela utilização de mudas sem qualidade técnica até o tratamento pós-colheita e armazenamento dos produtos.
Coisas que interessam diretamente à economia do País, e não somente aos agronegócios. Mais tarde o debate será em torno de um dos mais importantes negócios brasileiros, o café. No 7º Encontro Nacional do Café (Encafé), marcado para os dias 18 a 22 de novembro, pela Associação Brasileira das Indústria de Café (Abic), no Cabo de Santo Agostinho, Litoral de Pernambuco, serão abordados preferencialmente temas que respondam a estas questões:
Como as indústrias devem se preparar para enfrentar a grande concorrência que as aguarda num futuro próximo?
Como identificar novos segmentos de mercado e como trabalhar com eles?
Quais as novidades nas áreas de marketing e gerenciamento empresarial?
Qual será o perfil do consumidor do início do Século 21?
Quais mudanças afetam o relacionamento entre os agentes do agronegócio?
‘‘Com as eleições presidenciais até lá já definidas, o 7º Encafé acontecerá em um momento especial, que permitirá o aprofundamento das discussões sobre os rumos da atividade econômica’’, comenta o ‘‘Informativo Encaf钒, da Abic. O pessoal da indústria do café pensa para a frente, conforme seu informativo deixa claro: ‘‘A dois anos da virada do Século, o agronegócio café como um todo, e as torrefações em particular, devem reavaliar suas atuações, buscando novas formas de interagir para enfrentar as novas imposições do mundo moderno, cientes de que tudo o que até há pouco tempo era tratado como tendência, hoje é realidade. Qualidade e produtividade, por exemplo, são hoje quesitos fundamentais para quem quer ser competitivo. E globalização não é mais algo imaginável, mas uma situação que já interfere no dia-a-dia de todos nós.’’
Gente que procura solução, acaba encontrando. Há pouco a Associação dos produtores de Álcool e Açúcar do Paraná (Alcopar) dizia que o setor alcooleiro estava vivendo ‘‘um dos piores momentos de sua história’’. Atribuía essa situação a ‘‘um quadro de absoluto descaso, indiferença e falta de autoridade por parte do governo Federal, que não consegue, ao menos, fazer valer as leis que edita’’. ‘‘Nesta...o prejuízo maior é sofrido pelo setor produtivo - as destilarias de álcool, prestes a paralisar suas atividades no Estado, o que causará o desemprego de milhares de trabalhadores’’.
Segundo a Alcopar, as companhias distribuidoras, beneficiadas pela liberação dos preços do álcool desidratado, passaram a ‘‘exercer forte pressão econômica junto aos produtores, visando a negociar a aquisição do produto a preços abaixo da tabela, conseguindo-se, em alguns casos, um aviltamento da ordem de 40%’’.
O setor alcooleiro oferece 75 mil empregos diretos somente no Paraná, ‘‘além de um universo de fornecedores e prestadores de serviços’’. A Alcopar concluía, advertindo: ‘‘É preciso que as autoridades sejam sensibilizadas. Todos os esforços são necessários, neste momento, para reverter a situação. O segmento alcooleiro necessita de uma solução urgente!’’
Pode não ser a solução de todos os problemas, mas pelo menos algo foi feito nesta semana, quando o governador Jaime Lerner sancionou, em Bandeirantes, no Norte do Estado, a criação da frota verde. Isto significa que a partir de 9/7/98, ‘‘toda a frota oficial do Paraná, estimada em 13 mil veículos, deverá ser substituída por carros movidos a álcool, num prazo de cinco anos’’. Novamente, palavras da Alcopar. O Paraná torna-se, assim, o primeiro Estado brasileiro a criar uma frota verde. A Alcopar considera essa decisão ‘‘um estímulo às 28 usinas do Estado, que estarão produzindo este ano 1,3 bilhão de litros e vêm enfrentando dificuldades para a comercialização da safra nos últimos meses.’’
Mas, o que isto tem a ver com pesquisa? Pesquisadores desenvolveram a tecnologia que botou o álcool nos tanques dos veículos, proporcionando ingresso de recursos na economia dos agronegócios e na economia do País em geral.
O autor é editor da Folha Rural

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