O alto grau de disseminação do capim-camalote é um fator que deve ganhar atenção mesmo quando um determinado talhão apresentar apenas uma planta. Donizete Aparecido Fornarolli, engenheiro agrônomo e professor doutor da Universidade Filadélfia (Unifil), de Londrina, explica que cada gramínea pode produzir até cem perfílhos (brotos que surgem na touceira). O agrônomo explica que a praga começou a ganhar evidência em 1982 no Norte do estado de São Paulo.
A partir de então, o professor lembra que a praga começou a se disseminar mais rapidamente, chegando até o Paraná. Para Fornarolli, o início do controle inicia com o arranque manual da gramínea. Ele salienta que toda a touceira também deve ser arrancada junto para que não haja a possibilidade de rebrota. "A identificação da praga acontece no dia a dia", lembra o professor.
Antes de atingir uma altura de 15 centímetros, o professor explica que todas as gramíneas são parecidas, mas a partir dessa altura fica mais fácil identificá-la. "Quando a planta entra na fase de florescimento, pode ser observado no solo as sementes do capim-camalote que são semelhantes a um graveto de madeira", destaca.
A planta possui pequenos espinhos que prejudicam o corte manual da cana-de-açúcar, pois a gramínea chega a machucar os trabalhadores, podendo até causar infecções. O professor completa que em áreas de maior infestação, o uso do glifosato tem se mostrado eficiente no combate à planta. Ele cita que em alguns países produtores de cana-de-açúcar, a exemplo da Guatemala, o capim-camalote tem sido um problema sério para os produtores.
De acordo com o professor, as sementes possuem dimensões em torno de 4 milímetros (mm) de comprimento e 2 mm de largura. A viabilidade das sementes no solo pode se estender de três a quatro anos. Após a maturação, as sementes podem ficar em dormência de quatro a seis meses e atingem germinação máxima em até 95%. Sua importância econômica positiva é poder ser utilizada para forrageira para búfalos aquáticos, porém, para outros animais não é aconselhável devido à presença das cerdas (minúsculos espinhos) que promovem ferimentos nos animais. (R.M.)

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