O presidente do Sindicato Rural de Apucarana, Jorge Nishikawa, vivenciou uma situação um tanto inusitada. Em julho deste ano, ele vendeu uma pequena propriedade localizada nas proximidades do município. Antes de fechar o contrato de compra e venda, Nishikawa pediu ao novo proprietário para desmontar uma das três casas do sítio para aproveitar a madeira em outra obra.
Dias depois, segundo relato de vizinhos, chegou na propriedade uma quadrilha se passando por uma empresa que iria remover o imóvel para Nishikawa. A ação, de acordo com as testemunhas, durou menos de 4 horas. A quadrilha levou tudo e deixou somente a base da casa. Para o presidente do Sindicato Rural, as madeiras de peroba-rosa do imóvel teriam motivado o roubo, devido ao seu alto valor de mercado. ''O roubo de casas virou moda em nossa região. Hoje há muitas ocorrências desse tipo de crime em todo o Estado'', lamenta Nishikawa.
Mais violência
O produtor de grãos e fumo Jorge Satoru Yamanaka calcula perdas de R$ 40 mil no último assalto que sofreu em sua propriedade, mas a tensão sofrida por ele e sua família, que ficaram horas sob a mira de uma quadrilha fortemente armada, foi o principal prejuízo. ''Era noite, os assaltantes desceram do alto da colina de minha propriedade e nos surpreenderam. Nesse dia estávamos minha mãe, meu filho e eu''. Yamanaka conta que os bandidos chegaram ao sítio pedindo pelo dinheiro guardado.
Pelo grau de conhecimento que os assaltantes demonstravam sobre a propriedade, o produtor desconfia que o bando possuía um ''olheiro''. Ao todo, foram levados, pertences domésticos, defensivos agrícolas, uma roçadeira e uma motosserra. Todos os produtos foram colocados na caminhonete de Yamanaka, que foi recuperada no dia seguinte.
Apesar de ninguém ter sido preso, Yamanaka ressalta que a chegada da Polícia Militar foi rápida. Porém, com essa triste experiência, a rotina da família foi alterada. ''É difícil todos sairem da fazenda ao mesmo tempo, sempre fica alguém aqui para vigiar'', frisa. Além disso, o produtor intensificou a iluminação, atitude que, segundo o presidente do Conseg, Renato Franciscon, é uma das formas de repelir a ação de marginais, já que eles optam por propriedades mais escuras e isoladas.
Franciscon destaca que o Conseg orientará os produtores a adotarem medidas simples que podem evitar ou dificultar as ações dos bandidos. ''A comunicação entre vizinhos é o primeiro passo. Se um ficar de olho na propriedade do outro, pode evitar muitos delitos'', salienta. Ele completa que colocar grades em portas e janelas também ajuda a evitar furtos. (R.M.)

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