Ataque terrorista aos EUA travou mercado
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sexta-feira, 14 de setembro de 2001
Carolina Avansini 
O ataque terrorista aos EUA causou o travamento do mercado agrícola brasileiro. De acordo com Celso Carlos dos Santos Júnior, superintendente comercial e industrial da cooperativa Cocamar, de Maringá, as commodities (como soja e café) e outros itens negociados no mercado interno perderam temporariamente seus referenciais de preço. ''O cenário ainda está indefinido, confuso e não há como comprar ou vender produtos agrícolas'', opinou.
Ele explicou que o mercado internacional da soja, em especial, é regulado pela Bolsa de Chicago, que encontrava-se fechada desde o momento em que iniciaram os ataques à Nova York e Washington. O presidente da Bolsa de Café de Nova York, que funcionava no World Trade Center (edifício destruído pelo ataque), anunciou que a instituição novaiorquina será reaberta apenas na segunda feira, em uma sede provisória.
Apesar da incerteza, o presidente da Cocamar, Luiz Lourenço, afirmou que os produtores não devem ficar preocupados em relação ao mercado agrícola. Segundo ele, nada conseguirá alterar drasticamente o cenário que já estava configurado para os preços da soja. ''Até o início da colheita da safra 2001/02, em fevereiro, deverá faltar soja para esmagamento no País'', frisou.
Especulação ''Na primeira semana após o ataque terrorista sofrido pelos Estados Unidos, qualquer afirmação sobre as consequências do ato, para a agricultura, será pura especulação''. A opinião é de Décio Luiz Gazzoni, pesquisador da Embrapa Soja e diretor técnico da Federação dos Agrônomos.
Para o especialista, ainda é prematuro fazer previsões. ''As decisões estão sendo tomadas sob forte pressão emocional. Até mesmo a alta do petróleo observada no dia do atentado foi especulativa'', disse.
Desabastecimento Questionado pela Folha Rural sobre os possíveis reflexos da crise para o setor agropecuário, porém, ele levantou algumas hipóteses. ''Quando cria-se um clima de vulnerabilidade, os países desenvolvidos tendem a formar estoques maiores de comida para se precaver contra o desabastecimento. Isso ocasionará alta nos preços dos produtos agrícolas'', disse.
Segundo Gazzoni, essa hipótese deve se concretizar apenas a médio prazo. ''Se houver uma retaliação incisiva dos EUA contra os culpados, a crise se prolongará e estimulará ações de proteção contra a falta de comida.''
Na opinião do pesquisador, a agricultura brasileira não se beneficiará da situação no início do processo. ''Por enquanto, o País não tem o que vender, pois os produtores estão sem estoques. A conjuntura só traria vantagens para os brasileiros se a crise se estendesse por mais de um ano''.
Petróleo Outra possível consequência do ataque terrorista é a alta persistente do petróleo, que ocasionaria uma demanda maior pelo produto. ''As nações vão tentar evitar a falta de combustível e derivados'', argumentou Décio, acrescentando que esse quadro refletirá em todos os setores da economia. No caso da agricultura, a tendência é aumentar o preço dos insumos e defensivos, dos fretes e o custo de operação das máquinas.
Ele comentou ainda que o clima pessimista normalmente estimula os detentores de capital a buscarem lugares seguros para investirem seus recursos. ''As nações emergentes, como o Brasil e a Argentina, não se configuram como boas opções aos olhos dos investidores. O País pode sofrer retirada de capitais, o que acarretaria cortes de orçamento e não cumprimento de metas de crédito rural, entre outras ações'', comentou.
A agricultura também será prejudicada se os governos passarem a investir mais em segurança. ''No caso do Brasil, é certo que os recursos vão ser retirados das áreas sociais, o que inclui o setor agrícola, por ser fornecedor de alimentos''.


