O diretor-geral da Secretaria de Estado da Agricultura e do Abastecimento (Seab) do Paraná, Herlon Goelzer de Almeida, participou no início de outubro de uma reunião com produtores de cogumelos paranaenses, que expuseram o problema da concorrência do produto chinês. Em entrevista à FOLHA, Almeida relatou que a Seab ofereceu contatos com o Ministério do Desenvolvimento Agrário (MDA) e com os produtores de São Paulo, além de ter intermediado um encontro com o ministro da Agricultura, Reinhold Stephanes.
O diretor salientou que a Seab não pode ir além disso no processo. ''O que fizemos é o que acredito que seja o papel do Governo do Estado. Os assuntos de relações comerciais entre países passam pelos ministérios e desembocam na Câmara de Comércio Exterior, onde os ministros têm assento e avaliam a situação'', explicou Almeida.
''Pelo regramento da Organização Mundial de Comércio (OMC), não cabe aos governos fazer levantamentos de problemas de setores econômicos. Isso cabe à iniciativa privada. Os representantes dos segmentos devem se reunir, configurar o problema documentalmente e pleitear junto ao Governo Federal'', afirmou o diretor.
''Normalmente, é um processo lento, porque nem sempre o que o setor diagnostica (como problemático) é considerado suficiente. Dependendo da abordagem, o processo pode facilitar ou prejudicar o rápido entendimento por parte do governo'', disse Almeida, que salientou que a análise deve ser feita de forma exclusivamente técnica, para que as regras das relações comerciais internacionais sejam respeitadas.
''Existe um regramento da OMC. Mesmo que o (presidente) Lula queira, que o ministro queira, eles não podem tomar decisões sem uma base segura, sob risco de prejudicar as relações com a China e a própria OMC'', argumentou. (F.G.)

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