Assis Chateaubriand tenta correr atrás do título perdido de ''capital do peixe''. Produtores da região não querem estar de fora da corrida e apostam no associativismo.
Há 10 anos, a produção de Assis nadava de braçada, chegando a ter cerca de 750 tanques de peixes, atraindo a instalação de um frigorífico, que acabou deixando a cidade.
''Quando a atividade já estava em declínio, os empresários reivindicavam melhorias na estrada de acesso ao frigorífico, o que não aconteceu'', lembra o técnico em piscicultura da prefeitura de Assis Chateaubriand, Gilmar Echhardt, que há 12 anos, acompanha a atividade na região.
O técnico compara a lucratividade da piscicultura ao da soja, dizendo que em um hectare com 30 mil tilápias é possível conseguir 15 mil quilos de carne.
Alevinos com uma grama de peso e três centímetros passam para o berçário em 30 dias, atingindo de cinco a 10 gramas. Depois vão para os tanques de engorda. Em quatro ou cinco meses, dependendo da tecnologia empregada, os peixes atingem 500 gramas. ainda pelos cálculos de Gilmar, ''tirando os custos com ração e outros insumos, a compra dos alevinos e a contratação de um técnico, o piscicultor terá um retorno de 30% do investimento. Com 15 toneladas de carne ao preço de R$ 2,20, o quilo, o retorno será de R$ 33 mil. Cento e cinquenta sacas de soja não permitem essa lucratividade'', garante.
O técnico da prefeitura alerta que a introdução da piscicultura envolve mais dinheiro, mas o retorno é maior. ''Porém, para atingir esses resultados é preciso contar com assistência técnica''.
A administração municipal de Assis incentiva a construção e reforma de tanques escavados, sendo que, atualmente, cerca de 40 produtores se dedicam à piscicultura em 140 hectares.
Aparecido Orides Maciel acompanhou as duas faces da moeda da atividade na região e, hoje, possui oito tanques num total de 14 mil metros quadrados de lâmina d' água.
Maciel diversifica ainda a produção com mandioca e vaca leiteira, pretendendo agregar mais renda com a implantação de um aviário.
Na última quarta-feira, o produtor estava tirando cerca de 15 toneladas de peixes, que venderia para um frigorífico que distribui, inclusive para Londrina.
''Tudo o que você faz na vida precisa insistir muito. Optei por vender a produção de peixes para um frigorífico porque não temos condições de processar as peles na propriedade. Para isso precisaríamos ter na região uma associação ou cooperativa fortes, conseguindo agregar valor à nossa produção'', comenta Maciel. (F.L.)

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