Associativismo não tem força
Outro problema apontado por Leonardo Duarte diz respeito ao fato de os produtores sofrerem represálias por parte da empresa quando pensam em fazer parte de algum sindicato ou associação da categoria. ''Ninguém consegue participar porque eles tesouram o cara, deixam dois meses sem frango ou até não repassam mais. Eles não deixam a gente se unir'', afirma.
A informação é confirmada pelo presidente da Associação dos Produtores de Aves de Corte de Arapongas e Região, Edinaldo José Armacollo, conhecido como Panta. De acordo com ele, atualmente a associação conta com 46 membros, de sete integrações, mas infelizmente a minoria - 3 ou 4 - são da Big Frango. ''Se você perguntar para algum integrado deles ele não confirma, mas sabemos de conversas que eles intimidam. Dizem que vão demorar para colocar pintinho, que o alojamento pode diminuir. Então as pessoas - a grande maioria - que hoje têm dívida com a empresa ou com bancos se vê obrigada a aceitar aquilo como justo porque tem que honrar com seus compromissos'', observa.
Outro ponto que está sendo questionado é o atual sistema de integração, criado na década de 70. O Ministério Público de Santa Catarina, destaca Armacollo, está questionando o sistema naquele estado e tem conseguido bons resultados, mudanças. ''O sistema atual é uma parceria unilateral, vantajoso único e exclusivamente para a empresa: o produtor entra com a estrutura, a mão de obra e as despesas e a empresa entra com o produto, a ração e retira o frango pronto'', diz. Armacollo explica que o setor sofre com alguns problemas, mas nem todos os produtores estão descontentes. ''Tem gente que vai muito bem e recebe bem mais que a média geral'', completa.
A assessoria da Big Frango enviou à reportagem uma planilha relatando as despesas e a receita de um integrado com 33 mil aves. Pelo cálculo, o produtor recebendo R$ 0,35 por cabeça o lucro supera os 100%. A empresa admite divergências sobre algum custo ou a própria receita, mas a variaçao seria pequena. ''A criação de frango, a exemplo do modelo aplicado pela Big Frango, em um processo de integração, se comparada a qualquer outra atividade pecuária ou agrícola é um excelente negócio em se tratando de rentabilidade'', diz a nota.
A Big Frango compara ainda que para um galpão, com a capacidade citada, são necessários 20% de um alqueire. Para obter o mesmo rendimento com soja seriam necessários 10,88 alqueires e com o milho cerca de 37,22 alqueires de terra. A empresa, segundo a assessoria, tem 1.080 associados e mais de 90% estão contentes com a atividade.





