Associados destacam chance de negociação
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sexta-feira, 30 de junho de 2017
Fábio Galiotto<br>Reportagem Local 

O agricultor Odair Trevizan, de Rolândia, afirma que teve uma ótima produção de milho neste ano, mas que, com a supersafra paranaense, os preços não cobrem os custos. Porém, ele, que é cooperado da Cooperativa Integrada, afirma que se sente mais seguro do que caso fosse independente. "Eles ajudam bem, dão incentivo, assistência técnica e no fim do ano recebemos as sobras", conta. "Mesmo quando temos perdas, a vantagem é que podemos negociar com a cooperativa", completa.
Trevizan planta soja, milho e trigo em 530 hectares, na Fazenda Santa Luzia. Ele divide a mão de obra com três irmãos e uma irmã e conta que o interesse pela cooperativa vem de família. "Desde criança foi assim. Estou na Integrada há 21 anos, desde o começo, e antes era da Cotia", diz.
Produtor de soja, milho e trigo nos sítios Boa Sorte e São José, Sérgio Chinaglia perdeu 30% das espigas no ano passado com as geadas e também destaca a facilidade de negociação com as cooperativas. "Dá uma segurança maior para a gente, porque as empresas privadas não dão essa força quando precisamos", diz o agricultor de Cambé.
Chinaglia também destaca a orientação dos agrônomos da cooperativa como uma vantagem. "Metade da minha perda com as geadas eu recuperei com o seguro, que foi orientado por eles. Dei uma arriscada e perdi um pouco em umas áreas mais altas, onde achei que a geada não ia pegar", explica.

MELHORIA E INVESTIMENTOS
O presidente da Integrada, Jorge Hashimoto, lembra que as cooperativas têm o associado como dono, cliente e fornecedor, então investem sempre em melhores condições para ele. "O resultado é todo revertido para o cooperado, com rateio das sobras e uma parte reservada para investimentos estruturais, para que ele tenha menor custo e maior condição de trabalho. Sem contar a agroindústria, que agrega valor ao produto dele", diz.
Quanto ao valor do milho neste ano, ele diz que o agricultor também obtém uma vantagem. "Se a supersafra fez o preço baixar, temos o resultado da indústria de ração que pode gerar uma sobra maior", conta Hashimoto.
O presidente da Frimesa Cooperativa Central, Valter Vanzella, afirma que o sistema também permite a defesa do associado em momentos de preços baixos para a carne suína, com uma política mais constante. "Uma das políticas da cooperativa é não praticar o preço máximo quando o valor vai lá para cima e ter um preço mínimo, que cubra os custos, para viabilizar sempre a cadeia", diz.
Vanzella considera que a carne suína se desvalorizou no mercado interno pelo menor consumo causado pelo desemprego. No externo, estima a queda de preço entre 5% e 10%, mas sem perda de vendas. "Não temos tanto problema porque a cooperativa tem parte da cadeia na mão, com milho e ração", diz.
Nesse cenário, a Frimesa passou a investir em uma campanha para tornar a marca mais conhecida fora do Paraná, o que também beneficia cooperados e divide custos com o marketing. "Temos três unidades de carne em São Paulo e nunca fizemos campanha lá, então chegou a nossa hora", diz Vanzella. (F.G.)


