Associação profissionaliza a atividade
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sábado, 26 de novembro de 2005
Fernanda Borges<br>Reportagem Local 
Já deixou de ser novidade o discurso que alerta para a necessidade do trabalho conjunto dos pequenos produtores, não só para que permaneçam na atividade, mas com garantia de renda. A distância, na verdade, está entre o que pregam os técnicos e a prática dessas orientações.
Felizmente, há exemplos interessantes, como o do produtores de leite de São José da Boa Vista, Santana do Itararé, Wenceslau Braz e Salto do Itararé, no Norte Pioneiro. Organizados na Associação Geral dos Produtores Agropecuários (Agepagro), os 320 sócios são responsáveis pela produção de 380 mil litros/mês.
A fundação ocorreu em 1998, com 27 associados que vendiam 8,1 mil litros/mês. A idéia, segundo o veterinário da Emater de São José da Boa Vista, Domingos Fernando Miller Figueira, era melhorar a qualidade do leite para garantir a venda entre os consumidores da região.
Os técnicos cuidaram da capacitação dos produtores com informações sobre a qualidade da produção, alimentação do gado, sanidade do rebanho,
melhoramento genético, gestão da propriedade e acompanhamento dos custos. Estes, por sua vez, investiram na melhoria dos locais de coleta, até com a instalação de ordenhadeiras mecânicas.
Com recursos oficiais foram instalados resfriadores comunitários que recebem e armazenam o leite até a coleta da indústria. Cada produtor é responsável pelo transporte do leite até os resfriadores, que ficam em locais estratégicos, perto da estrada, para facilitar o acesso. A cada dois dias os caminhões recolhem o leite.
Hoje são 53 resfriadores comunitários alocados nos quatro municípios, com capacidade para alocar de 800 e 2 mil litros cada. Além do resfriamento, a Agepagro cuida da análise da qualidade do leite em laboratório e da venda. Com apoio governamental, por meio do Consórcio Intermunicipal Leste Pioneiro, 80 mil litros de leite são vendidos nas cidades, onde atendem o programa estadual Leite das Crianças.
Ainda segundo o veterinário, a organização dos produtores gerou credibilidade e respeito por parte das empresas. Nosso leite está acima dos padrões exigidos. Hoje existe uma concorrência grande de compra.
De acordo com o presidente da Agepagro, Laerte de Oliveira, há 10 anos, quando começaram a idealizar a associação, os produtores estavam sem perspectivas. Hoje podemos dizer que saímos do buraco. Todos estão muito satisfeitos. Agora estamos batalhando para a vinda de indústrias.
Segundo o agrônomo Cássio Lima, também da Emater, devido o aumento da demanda, mais dez resfriadores devem ser adquiridos nos próximos meses. A produção de cada um dos associados esta sendo ampliada com o trabalho coletivo, diz.


