Reunindo medidas simples e eficientes, o projeto Vitória acumula um saldo de bons resultados após dois anos de funcionamento entre os produtores de leite da Região do Arenito, que engloba 12 municípios nos arredores de Londrina e Maringá. Iniciativa da Empresa de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) em parceria com as universidades estaduais de Londrina (UEL) e Maringá (UEM), o trabalho é baseado na assistência técnica personalizada integral às propriedades cuja capacidade produtiva não era aproveitada de maneira adequada.
Após o encerramento da primeira fase do projeto, em dezembro de 1999, a Emater constatou um aumento médio de 16% na produção, com redução de 9% nos custos. Atualmente, trabalham com as expectativas individuais de cada proprietário, que estabeleceram objetivos a serem atingidos sem data definida.
Redução de CustosVendido por R$ 0,24, o litro do leite custava ao produtor R$ 0,21 antes do projeto. Hoje, custa no máximo R$ 0,19, garantindo oportunidade de lucro mesmo nas estações de maior desvalorização do produto.
Para conseguir os resultados da primeira fase, os técnicos realizaram um levantamento completo de cada propriedade, avaliando as condições de sanidade, manejo reprodutivo e alimentação dos animais. Com base no diagnóstico, passaram a propor ações para solucionar problemas que estariam limitando a produção. ‘‘A maioria dos produtores não tinha informações mínimas sobre as caracterísitcas do rebanho, como a data dos partos e a quantidade de leite produzido por cada vaca’’, informou a engenheira agrônoma da Emater
Cristina Célia Krawulski, que atende a região de Jaguapitã (46 km ao norte de Londrina).
Com os dados em mãos, tabulados em um software especialmente desenvolvido para a função, foram sugeridas as modificações. Além de criarem o hábito de controlar as atividades de cada animal, os produtores começaram a descartar os doentes ou com problemas reprodutivos, adotaram um esquema de vacinação mais completo e passaram a investir na qualidade da pastagem, para solucionar a alimentação deficitária.
Manejo de pastagemTambém adotaram o pastejo rotacionado, que consiste em dividir a pastagem em piquetes para proporcionar rotação dos pastos. Com isso, os animais se alimentam em espaços pré-definidos, garantindo o crescimento dos brotos nas partes que foram isoladas. A correção da fertilidade do solo e a adubação também foram implementadas, além da utilização de suplementação alimentar durante o outono e inverno, principalmente para as bezerras, novilhas e vacas em período de pré-parto.
Com o início das chuvas, os produtores estão se preparando para começar a manutenção da adubação, com aplicação de nitrogênio, potássio e fósforo.
‘‘A comida é a base de tudo. Se oferecemos uma boa alimentação proporcionamos aumento reprodutivo e na produção de leite. No início do projeto, era comum encontrarmos vacas há 36 meses sem parir, mas hoje, conseguimos estabelecer uma média de quatro meses entre o parto e a nova cobertura’’, ressaltou o engenheiro agrônomo Fernando Luís Martins Costa, que atende a região de Centenário do Sul (91 km ao norte de Londrina).
Mais LeiteNo sítio Santa Rita de Cássia, em Jaguapitã, a adoção das orientações do projeto Vitória garantiu um aumento de 350 litros para 500 litros de leite na produção diária do rebanho de Fábio Menoli Panício, composto por cerca de 200 animais. Entre as modificações implantadas, investimento na produção de feno e cilagem para armanezar alimentos para os meses de outono e inverno.
O produtor comemora muitas conquistas, como a diminuição do intervalo entre os partos - de 18 para 13 meses - e o investimento na criação de bezerras, que permitirá o acompanhamento de todas as fases de desenvolvimento. Também se prepara para mais uma vitória: diminuir a idade mínima da primeira cobertura das novilhas para 18 meses, superando a espera de quatro anos que acontecia anteriormente.
Ele foi o primeiro a introduzir a fase de pré-parto na produção, que significa proporcionar tratamento diferenciado para os animais prestes a parirem. Para garantir melhor desenvolvimento às bezerras, elas são separadas dos machos desde o nascimento. Os animais do sexo masculino são vendidos e os recursos obtidos são revertidos em novos investimentos.
Fábio pretende atingir a produção de mil litros diários, sem aumentar o rebanho ou o preço de custo do leite, orçado em R$ 0,19. Em outubro, ele já espera chegar aos 600 litros, vendidos por R$ 0,34 cada. ‘‘Antes conseguíamos um lucro de R$ 0,07 por litro, depois do projeto cheguei a dobrar este valor. É trabalhoso seguir todas as recomendações dos técnicos, mas compensa porque evita perdas’’