Assistência técnica gratuita no campo se expande na região
Região de Londrina conta hoje com 12 turmas; nova abertura de inscrições será em 2027
PUBLICAÇÃO
sábado, 27 de junho de 2026
Região de Londrina conta hoje com 12 turmas; nova abertura de inscrições será em 2027
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

Serviço de assistência técnica e gerencial gratuito oferecido pelo Sistema Faep ao produtor rural do Paraná, a ATeG vem se expandindo na região de Londrina.
Hoje, já existem 12 turmas em andamento nos municípios de Faxinal, Uraí, Arapongas, Grandes Rios, Ibiporã, Jaguapitã e Assaí, com atendimento às cadeias produtivas de olericultura, fruticultura, cafeicultura, bovinocultura de corte e bovinocultura de leite.
Vanessa Reinhart, coordenadora do Departamento de ATeG (Assistência Técnica e Gerencial) do Sistema Faep (Federação da Agricultura do Estado do Paraná) , explica que o ciclo atual (2025-27) está fechado.
“As próximas turmas e novas cadeias produtivas serão abertas em 2027. Tivemos uma atualização na metodologia, com muitas melhorias para o próximo ciclo. Temos que aguardar o encerramento das 128 turmas em andamento”, anunciou.
Hoje, todas as regiões do estado são atendidas pelo programa. Com propriedade em Sapopema, Norte Pioneiro, o criador de bovinos Rogério Aparecido Mariano começou a receber assistência gratuita da Faep há nove meses.
De lá para cá, ele relata que muitos aspectos evoluíram. “Essa assistência vem me ajudando a enxergar minha propriedade como uma empresa, controlando custos e investimentos para obter maior margem de lucro. Também transmite técnicas modernas de manejo de sanidade animal e vegetal e conservação do solo, tudo de uma forma simples e aplicável”, resume.
EXPANSÃO
O projeto da Assistência Técnica e Gerencial do Sistema Faep começou no Paraná em 2023, com foco na olericultura. Porém, no ano passado, o projeto foi ampliado para outras cadeias produtivas como apicultura, bovinocultura de leite, bovinocultura de corte, ovinocultura, agricultura anual, cafeicultura e fruticultura.
“A ATeG tem contribuído para transformar a atividade rural, com mais planejamento e profissionalização. Trata-se de uma metodologia que une orientação técnica, gestão da propriedade e acompanhamento contínuo. Diferente de ações pontuais, o trabalho acontece por meio de visitas periódicas realizadas por técnicos capacitados, que acompanham o produtor de forma individualizada, considerando a realidade de cada propriedade”, detalha Reinhart.
Durante o atendimento são realizados diagnóstico inicial, planejamento, recomendações técnicas e gerenciais, além de monitoramento de indicadores e avaliação dos resultados. O objetivo é apoiar o produtor na tomada de decisões, promovendo melhorias produtivas, econômicas e gerenciais.
O atendimento ocorre, em geral, ao longo de 24 meses, permitindo acompanhar a evolução da propriedade, implementar mudanças gradativas e consolidar resultados sustentáveis.
“A ATeG contribui para transformar a propriedade rural em uma atividade cada vez mais planejada e profissionalizada. Muitas vezes, o produtor possui amplo conhecimento prático, mas precisa de apoio para organizar informações, acompanhar indicadores, planejar investimentos e tomar decisões com base em dados.”
Segundo a coordenadora, ao introduzir ferramentas de gestão e planejamento, a ATeG fortalece o controle dos custos, a eficiência produtiva e a visão estratégica da propriedade. “Isso permite ao produtor compreender melhor seus resultados e identificar oportunidades de melhoria. O resultado é uma produção mais eficiente, competitiva e sustentável.”
Das primeiras turmas de 2023, quatro já concluíram o programa, na Região Metropolitana de Curitiba. Atualmente, são 128 turmas de ATeG em andamento no Estado e 3.500 propriedades acompanhadas de perto. Hoje há propriedades cadastradas em 286 municípios, orientadas por 128 técnicos.
“Embora os resultados variem conforme a cadeia produtiva e a realidade de cada grupo atendido, observamos diversos impactos positivos entre os produtores participantes da ATeG.”
Segundo a coordenadora, um dos principais resultados é o fortalecimento da organização coletiva.
“Em diferentes regiões do Paraná, produtores atendidos pelo programa passaram a se organizar em associações, cooperativas e grupos de interesse comum, ampliando seu poder de negociação e acesso a mercados. Também temos observado a realização de compras coletivas de insumos e vendas conjuntas da produção, estratégias que contribuem para a redução dos custos de produção, aumento da margem de lucro e melhoria das condições comerciais obtidas pelos produtores.”
ESTATÍSTICAS
Os resultados têm sido expressivos. Um exemplo são as primeiras turmas da ATeG no Paraná concluídas em 2025, envolvendo 85 produtores rurais dos municípios de Rio Branco do Sul, Cerro Azul, Mandirituba e São José dos Pinhais, atendidos nas cadeias de morango, mandioca e hortaliças.
“Após dois anos de acompanhamento técnico e gerencial, o lucro médio das propriedades atendidas passou de R$ 492 mil para R$ 1,03 milhão, representando um aumento de 109%. No mesmo período, a produtividade média cresceu 59%, passando de 156,5 mil quilos para 249,4 mil quilos. A renda bruta média registrou aumento de 34%, enquanto a margem líquida média cresceu 92%.”
Segundo Reinhart, esses resultados demonstram que a ATeG não se limita ao aumento da produção. “O foco está em melhorar a eficiência econômica da propriedade, permitindo que o produtor produza melhor, utilize os recursos de forma mais racional e obtenha maior retorno financeiro sobre sua atividade.”


