Sandra Costa Ferrer (à frente) e a técnica da Emater Genny Seisert Santos: investimento em mini granja de suínos
Sandra Costa Ferrer (à frente) e a técnica da Emater Genny Seisert Santos: investimento em mini granja de suínos | Foto: Gina Mardones - Grupo Folha

O Fomento Mulher em Londrina conta atualmente com a atuação de dois agrônomos, duas veterinárias, um técnico agropecuário e um técnico social para tocar os projetos com mais de uma centena de famílias nos assentamentos Eli Vive I e II. Além disso, técnicos de cidades próximas a Londrina também ajudaram na elaboração dos projetos no ano passado.

Para quem vive nos assentamentos, o desafio é grande para conseguir assistência técnica. Quando projetos como esse acontecem, é uma forma de receber esse conhecimento, nem que seja por prazo determinado. Diferentemente do agronegócio que produtores estão alicerçados em empresas privadas e grandes cooperativas, os produtores de assentamento precisam desse respaldo do poder público, o que no caso de Londrina é bem complexo, já que o Instituto Emater tem uma equipe pequena na cidade para atender uma área rural bem extensa. Só os dois assentamentos, por exemplo, são pouco mais de 3 mil alqueires.

Sandra Aparecida Costa Ferrer já está há dez anos no Eli Vive, sendo cinco anos de acampamento e mais cinco agora como assentamento. Ela também conseguiu recursos para sua área de 3,5 alqueires através do Fomento Mulher, investindo em duas mil mudas de café, totalizando agora seis mil, e também na construção de uma mini granja de porcos e a aquisição de um casal de animais.

“A gente sabe que não tem assistência técnica de uma forma geral. Quando acabar o projeto do Fomento Mulher, vai ficar essa lacuna. Geralmente, procuramos informações, trocamos experiências com quem já está produzindo há mais tempo e também pedimos dicas em off para os extensionistas. A gente sabe que dessa forma não é o suficiente para crescer, mas a Emater nos ajuda como pode.”

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. | Foto: Folha Arte

Mesmo com a extensão rural não dando o suporte que seria necessário, é impressionante como a propriedade de Sandra está com um ótimo nível de profissionalização. Isso porque anteriormente ela estava inserida num projeto do café. No ano passado, fez a primeira colheita do produto agroecológico e está na expectativa de uma nova safra. “Foi uma colheita muito boa, recuperamos três anos de investimento, gerando uma renda. Estou dentro da rede Ecovida e a ideia é que nosso café se torne orgânico. Estamos em fase de transição e não passando veneno nenhum. Quero certificar nossa área e fazer rendas melhores, porque mesmo sendo agroecológico, recebi da cooperativa como café convencional, com uma bebida excelente.”

Sandra, que é umas lideranças do assentamento, relata como esses recursos de R$ 920 mil disponibilizados para as famílias fomenta a agricultura familiar, gerando “um salto de qualidade maravilhoso” na produção. “Com uma crise dessa, em que não temos dinheiro para nada, chegar esses R$ 5 mil para nos ajudar é muito importante. Elas estão faceiras com esse recurso, contentes e esperando que a renda cresça. É um galinheiro, uma vaca de leite... o quanto isso vai acrescentar para as mulheres aqui!?”

Na propriedade hoje moram ainda o marido Renê, o filho Lucas e a filha Jaqueline com o esposo Marcos e a neta Camile. Todos envolvidos na propriedade. “Todo projeto destinado para a área do assentamento a gente aproveita ao máximo. Infelizmente são projetos pequenos e muitas vezes não atendem todas as famílias.”

A neta mesmo - que estuda na escola do assentamento - já entendeu o valor dos porcos na propriedade e sabe que isso vai trazer benefícios para a família. “Minha neta já olha para o porquinho e diz que é dela e que vai comprar uma roupinha pra ela, já sabe que vai garantir o básico que precisa. Vislumbramos essa qualidade de vida para nosso futuro.”

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