Se o produtor paranaense tem um perfil voltado para a eficiência, ele encontra nas entidades de assistência a base para fazer a própria produção florescer. As cooperativas garantem escala, valor agregado e acesso a mercados para produtos dos pequenos agricultores, crédito e infraestrutura. Na outra ponta, órgãos como o Instituto Paranaense de Assistência Técnica e Extensão Rural (Emater) mostram os melhores caminhos para produzir, enquanto outros, como a Federação da Agricultura do Estado do Paraná (Faep), fazem a mediação política. Ainda, o Estado é referência em pesquisa, com a sede da Empresa Brasileira de Pesquisa Agropecuária em Soja (Embrapa Soja) em Londrina, entre outros centros do tipo ligados a entidades e à iniciativa privada.
Dos 373 mil proprietários rurais do Paraná, conforme o último balanço do Instituto Brasileiro de Geografia e Estatística (IBGE), 142 mil são filiados a cooperativas, ou 38%. O índice é o maior do País, apesar de os outros estados da região Sul também serem fortes no associativismo.
O gerente técnico e econômico da Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar), Flávio Turra, afirma que as associações permitem que o homem do campo possa diversificar a produção, de forma a ter renda durante todo o ano. "Vinculado a isso, o pequeno produtor não tem como ter um armazém, então ele se associa a uma cooperativa para contar com a organização e atingir escala para acessar o mercado."
Apesar da participação das cooperativas também na assistência técnica, Turra diz que um dos diferenciais do Paraná em relação a outros estados é a força do Emater, "que é muito forte e tradicional".
Na parte de pesquisa, o chefe de transferência de tecnologia da Embrapa Soja, Alexandre Cattelan, conta que o Estado é beneficiado pelo interesse dos produtores, que sempre participam de dias do campo, e pela cadeia interligada. "(O paranaense) é bastante receptivo a novas tecnologias. Isso depende de vários fatores, como financiamento, condições, então nem sempre consegue colocar no campo o que gostaria, mas em termos gerais tem conseguido."
Cattelan afirma que mesmo em maquinário, há uma crença no setor que sempre se tem de avançar. "Houve incentivos, com financiamentos, programas com subsídio, troca de máquinas por produção, então o produtor conseguiu renovar em grande parte seu parque de máquinas."
No campo político, o presidente da Faep, Ágide Meneguette, reclama que os resultados locais são obtidos apesar do pouco apoio de governantes. "Temos dificuldades ainda em ter o seguro rural. Temos de acessar deputados para que tenhamos algum recurso nessas áreas em todas as vezes", diz. "E precisamos da terceirização de serviços no campo. Isso tem de ser regulamentado, mas ainda está no Senado." (F.G.)

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