O assentado Cícero Moreira dos Santos, que tem um sítio com 16 hectares na Colônia Capituva, em Morretes, encontrou no cultivo orgânico do gengibre a fonte de sua renda.
Ele está exportando o produto para os Estados Unidos e recebe quase US$ 1 por quilo de gengibre, enquanto o produto convencional é vendido por R$ 1,00 no mercado. Este ano, Santos está embarcando 1.350 caixas de gengibre de 13,6 quilos cada uma.
O produtor disse que se produzisse mais, haveria mercado. Ele e um vizinho têm proposta dos Estados Unidos para embarcar até 30 contêineres com gengibre. Mas até agora só conseguiram embarcar 12 contêineres.
Apesar da oferta tentadora, o produtor mantém sua área bastante diversificada. Além do gengibre, cultiva mandioca, taiá, hortaliças, arroz e milho. ''Toda a produção é orgânica'', garante.
Além do preço rentável, o produtor comemora a redução dos custos de produção em até 30%. No plantio convencional vinha gastando cerca de R$ 18 mil por hectare. No sistema orgânico o custo foi reduzido para R$ 5,9 mil por hectare.
Cícero dos Santos se rendeu à produção orgânica em 1999, após um período conturbado com dívidas. Foi quando a extensionista Ruth Pires lhe ofereceu a oportunidade para participar do grupo de agroecologia que estava se formando no Litoral.
''No início foi difícil largar a produção convencional'', conta. ''Tem muitos macetes e é necessário ter sabedoria para conviver com o dia-a-dia da planta e entender como se atinge o equilíbrio do solo.''
Além das técnicas básicas preconizadas pelo cultivo orgânico, como aplicação de compostagem para reequilibrar o solo, pulverização das plantas com biogel (um produto à base de pó de rocha, utilizado como biofertilizante), Cícero Santos recorre a aplicação de leite nas plantas. ''O leite dá mais resistência e é nutritivo'', recomenda, em caso de infestação de pragas e doenças. V.C.

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