As vítimas do cano
O produtor Revimar Peres e seis irmãos contabilizam os prejuízos do calote do qual foram vítimas no início do ano. Os Peres têm R$ 35 mil em cheques ''frios'' a espera de pagamento. A propriedade de 14 hectares é responsável pelo sustento de 25 pessoas da família.
Segundo ele, toda a produção de tomates e vagens produzidas foram entregues a duas empresas de São Paulo (SP), já conhecidas dos horticultores e, até então, consideradas de ''boa procedência''. Os cheques foram levados por um irmão de Peres para um advogado em Maringá, que irá conduzir o processo de cobrança judicial da dívida. Enquanto isso, Peres tenta renegociar a dívida de mais de R$ 25 mil, no comércio da cidade.
Infelizmente, esse não é o primeiro calote que atinge a família. ''Já perdemos mais de R$ 150 mil'', presume Revimar Peres. No prejuízo soma-se também a venda da maior parte do sítio, antes com mais de 41 ha. O pai de Revimar guarda muita mágoa dos calotes e se esquiva até mesmo de revelar seu nome. O técnico da Emater Romeu Suzuki, conta que agora os irmãos Peres fazem de tudo para presevar a terra que lhes sobrou.
Renato Marchiori é mais uma vítima dos calotes. Na safra passada ele perdeu R$ 11 mil e confessa estar desanimado. Marchiori também contabiliza outros prejuízos, como o da empresa de processamento de alimentos Freezagro, de Cambé (13 km a oeste de Londrina), que faliu nos anos 90. ''Perdemos mais de R$ 42 mil'' naquela época, revela. Mas o que mais lhe incomoda é ter o nome sujo na praça. ''Não tenho crédito para comprar sequer uma cerveja''.
Apesar do desestímulo, Marchiori conta que a família fez a vida com a horticultura. Ele e três irmãos começaram a vida, há 20 anos, como arrendatários, hoje possuem uma propriedade de 130 hectares. ''Não sei trabalhar fora da agricultura'', admite.
O comércio da cidade também sofre com a situação dos agricultores. O presidente da Associação Comercial Industrial e Agropecuária de Marilândia do Sul (Aciamis), João Antônio Desiderá, destaca que o calote dos horticultores ''explode'' no comércio. As vendas deste ano tiveram uma queda de 30%, além de acumularem prejuízos com a falta de pagamento da compras a prazo feitas pelos produtores.
Na semana passada o calote foi tema de uma reunião do conselho empresarial da associação. ''Os produtores são idôneos, mas não têm como nos pagar. Além de não vender, perdemos com o tempo de espera'', lamenta Desiderá. O supermercadista Márcio Antônio da Silva diz que está sendo obrigado a cortar o crédito de alguns. As vendas segundo ele são feitas ''a prazo de colheita'' - cerca de 4 meses. Ele acumula uma dívida de R$ 160 mil.





