As terras do arenito já valem mais. Muito mais
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sábado, 14 de dezembro de 2002
Lucinéia Parra<br> Equipe da Folha 
Maringá - O Programa de Integração Lavoura e Pecuária no Arenito, desenvolvido no Noroeste pela Cooperativa de Cafeicultores e Agropecuaristas de Maringá (Cocamar) e Instituto Agronômico do Paraná (Iapar), com o objetivo de recuperar as terras de pastagens na região do Arenito Caiuá já está mudando a paisagem na região de Umuarama e Paranavaí.
Hoje, em muitas propriedades o que se vê são plantações de soja ocupando espaços que nas últimas décadas eram exclusivos das pastagens.
A mudança na vegetação não é o único resultado do programa. A valorização da terra na região Noroeste também está acontecendo e de uma forma surpreendente.
Dois anos atrás, conforme produtores e profissionais do setor imobiliário, o preço de um alqueire de terra nas regiões de Paranavaí e Umuarama, variava entre R$ 3,5 mil a R$ 4 mil. Hoje, o mesmo alqueire, ainda sem a soja, está valendo entre R$ 13 mil a R$ 16 mil.
Comparando-se apenas pelos números menores chega-se a uma valorização de 385% no período.
Nas áreas onde o plantio de soja já começou, o preço do alqueire sofreu uma valorização ''espetacular'' - garantem produtores e comerciantes - chegando a valer até R$ 25 mil.
De acordo com o imobiliarista Eliezel Souza Santos, de Paranavaí, apesar de a soja ainda não estar presente no município de Paranavaí, a valorização da terra nos últimos dois anos está trazendo novas perspectivas para o comércio da região.
Segundo ele, um dos fatores que estimularam a procura da terra na região do Arenito Caiuá foi o preço da soja nos últimos anos que tem deixado os produtores de municípios de terra roxa em uma situação financeira bastante confortável e com potencial para investimentos.
''Muitos produtores de soja de Londrina, Maringá e outras regiões tiveram bons lucros nas últimas safras e preferiram investir na nossa região porque aqui o preço compensava, já que a proporção do valor da terra era de 3 por 1'', explicou.
Conforme o coordenador técnico do programa do Arenito da Cocamar, Antônio Sacomam, a expansão da soja no Arenito Caiuá está dentro das expectativas da cooperativa. Lembrou que o programa chama-se integração lavoura e pecuária porque o objetivo é esse mesmo. A idéia, explica, é recuperar a área do Arenito Caiuá - hoje totalmente degradada - através do plantio de soja e depois voltar a atividade de pecuária na região. A partir de 2006, segundo ele, as áreas que já estão sendo recuperadas pelas lavouras de soja, se tornarão viáveis para uma pecuária realmente produtiva e competitiva.
Até meados da década de 90, segundo ele, o plantio de soja na região de Umuarama e Paranavaí era em média 50 mil ha. Em 1999, quando iniciou o programa, o plantio de soja passou a ocupar 85 mil ha. Na safra de 2000 e 2001 a lavoura de soja atingiu 126 mil hectares e na safra de 2001 e 2002 saltou para 186 mil ha. Para a safra de 2002 e 2003 está sendo estimado uma área de plantio equivalente a 253 mil ha. Se o crescimento da lavoura de soja na região continuar na mesma velocidade dos últimos dois anos, o objetivo da Cocamar de chegar a 400 mil ha de soja no Arenito Caiuá em 2006, será alcançado antecipadamente em 2005.
''A finalidade maior do programa é continuar a pecuária na região, mas uma pecuária rentável e competitiva'', afirma Sacomam. Segundo ele, o solo dos 2,2 milhões de ha de pastagens existentes na região do Arenito Caiuá está muito pobre. Em toda região do Arenito são produzidos 3,7 arrobas de carne por ha/ano. Com o solo recuperado, será possível chegar a mais de 40 arrobas de carne por ha/ano. ''A pecuária, uma vez recuperado o solo, poderá ser muito mais rentável na região por mais uns 10 anos'', prevê.
Conforme Sacomam, além de recuperar o solo do Arenito Caiuá muitos produtores estão descobrindo que é possível ganhar dinheiro. A única recomendação, é que os produtores sigam à risca as recomendações dos técnicos. ''Quem quiser se aventurar nas terras do Arenito vai se dar mal'', diz.
Ao contrário do que muitos pecuaristas pensam, a recuperação do solo na região não depende apenas de revirar a terra e adubá-la. ''A terra no Arenito Caiuá está muito degradada e precisa de componentes físico, quimico e biológico, daí a necessidade de levar a agricultura para a região'', afirma Sacomam.


