Arquivo FRCrescimentoPlantação de soja no Norte do Estado: produto deverá ser o responsável pelo maior aumento de áreaEmbora a safra de inverno ainda esteja no início de desenvolvimento em algumas regiões, fatores como a procura por insumos, comportamento do mercado e o ânimo demonstrado pelos produtores já estão definindo as tendências para a safra de verão. A soja, um dos principais produtos agrícolas brasileiros, é unanimidade entre os especialistas, e aparece com perspectiva de maior crescimento de área.
CrescimentoSegundo o chefe do Núcleo Regional da Secretaria da Agricultura e do Abastecimento (Seab) em Londrina, Juarez Moreira da Silva, o setor agrícola deverá ter um crescimento real entre 3 e 4% acima da inflação. Isto deverá gerar melhores remunerações ‘‘àqueles produtores tecnologicamente mais desenvolvidos, que acompanham as tendências de mercado no plano de comercialização e que têm consciência exata e necessária de redução de custos’’.
Mário CesarLavoura de milho-safrinha no Norte do Paraná. A área da safra normal deve cair, provocando desabastecimento
Para Moreira, o quadro geral prenuncia-se bem melhor que em 1995, visto que o Governo baixou as taxas de juros para os produtos agrícolas, embora ainda não nos patamares esperados. Ele lembra que temos algumas ‘‘pendências crônicas’’ em relação a fretes e taxas altas nos portos, para exportação, o que impede a agricultura nacional de ter maior competitividade em relação aos mercados externos. ‘‘O pequeno produtor ainda sofre a falta de escala para obter maior renda líquida com a agricultura’’, afirma o chefe do núcleo da Seab.
Ele acredita que o mercado da soja deve crescer em decorrência dos bons preços praticados na última safra, melhoria dos preços mínimos e aumento de crédito de R$30 mil para até R$ 1 milhão. A respeito do milho, a Seab prevê um decréscimo da área em mais ou menos 15% em algumas regiões do Estado, podendo inclusive provocar um desabastecimento.
Bons sinaisO comportamento do algodão ainda não é tão previsível, mas a expectativa da Secretaria da Agricultura é que aumente a área de plantio, principalmente devido à promessa do Governo Federal de dar incentivos ao plantio da cultura. A qualidade da fibra obtida na última safra e os bons preços também animaram produtores. Recentemente o presidente da Cooperativa Central do Algodão (Coceal), Almir Monticelli, disse que a área ocupada pela cotonicultura no Estado pode dobrar no ano que vem.
O feijão, a mandioca e a cana-de-açúcar também apresentam boas perspectivas, pelos cálculos da Seab. Assim como a produção de bovinos, suínos e frangos, que está melhor remunerada e com bom desempenho. Já o café vive um momento de verdadeira euforia no Estado, motivada pelas vantagens do plantio adensado.
Arquivo FRSobre o algodão existem controvérsias: de um lado, previsão de aumento da área; de outro, desânimo
O cafeicultor e presidente do Sindicato Rural de Cornélio Procópio, Wilson Baggio, lembra que o sistema de cultivo tem atraído tanto os novos como os antigos produtores. A diferença é que quem está iniciando agora a cafeicultura na propriedade já começa com a nova tecnologia, enquanto os antigos mantêm 50% dos cafezais no sistema adensado e 50% no sistema tradicional.
O produtor afirma que existe uma tendência para a próxima safra de áreas antes utilizadas com pastagem serem incorporadas ao cultivo de outros produtos, como a soja. A substituição de cultura também visa, segundo Baggio, a reforma de pastagens. Em relação ao algodão, ele não acredita que a cultura vá despertar grande interesse, pois o sistema de comercialização ainda estaria muito desestruturado.
Fruta e peixe‘‘O rami é uma cultura que está praticamente extinta, mas em compensação a fruticultura é uma atividade que tende a continuar crescendo e se diversificando na região (que engloba 23 municípios)’’, diz Wilson Baggio, lembrando que já existem muitas plantações de banana, uva, abacate, goiaba, pêssego e nectarina, entre outras, na região.
Outro setor que deve continuar se desenvolvendo bem, na opinião de Baggio, é o da criação de peixes. ‘‘Há cerca de 120 hectares de lâmina d’água instalados em propriedades dos municípios vizinhos, produzindo principalmente carpa, pacu e tilápia.’’ Para o cafeicultor, estas tendências dificilmente serão alteradas. ‘‘A não ser que ocorra alguma condição adversa, como problemas relacionados ao clima’’, observa.

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