As raças do cruzamento industrial
SimentalEficiência é a palava chave hoje da pecuária moderna. Pecuaristas que desejam sobreviver na atividade estão em busca de tecnologias para dar suporte ao processo de produção e aumento dos lucros operacionais da atividade e, consequentemente, aumentos na produtividade e qualidade dos produtos.
Neste contexto está também o cruzamento industrial. A cruza entre animais de origem zebuína (indianos) com os taurinos (europeus) tem trazido aumento de produtividade em carne e um incremento de qualidade
Variedade Das 26 raças expostas no Parque Ney Braga, durante a 38ª Exposição Agropecuária de Londrina, o gado europeu soma 16 raças. São animais usados tanto para criação de reprodutores e matrizes, quanto para o cruzamento. Entre os europeus, as raças de maior número de cabeças são o simental, limousin, marchigiana e charolês.
Boas fêmeas O criador de simental, por exemplo, de acordo com dados do Núcleo de Criadores de Simental de Londrina, trabalha hoje para obter boa terminação de carcaça, uma exigência dos frigoríficos. O objetivo é conseguir a dupla aptidão, carne e leite, para aproveitar a fêmea que, cruzada com o nelore, deverá alimentar melhor o bezerro.
Limousin
As fêmeas simental meio-sangue são utilizadas para voltar ao nelore e obter um bezerro mais pesado ao desmame. Para conseguir o super precoce há possibilidade de usar a fêmea meio-sangue simental com nelore, e depois outra raça (européia ou zebuína).
Bom desmame O resultado do cruzamento tem sido animais com 13 a 14 meses e peso de 15 ou 16 arrobas. Por estar mamando numa vaca com mais leite (cruza do simental com nelore), o bezerro é desmamado aos 300 quilos. No Espírito Santo, sede da associação brasileira, 230 criadores selecionam animais simental e simbrasil (raça sintética entre o zebu e o simental). Entre puros e mestiços de vários graus de sangue, de acordo com a associação, são quase 40 mil animais registrados no País.
O simental entrou no Brasil na primeira década deste século. Foram importados da Europa pelo Governo. Após quarentena no Rio de Janeiro, foram distribuídos a criadores. Números da associação indicam que a raça tem hoje 218.313 animais puros e mestiços registrados; 25 núcleos pelo Brasil; 1.388 sócios; e mais de 400 mil animais com sangue simental no rebanho brasileiro.
Animais provados Criadores de marchigiana estão empenhados em provar a eficiência dos touros da raça. A Associação Brasileira de Criadores de Marchigiana (ABCM), com sede em São Paulo, junto do o Grupo de Melhoramento Animal da Faculdade de Zootecnia e Engenharia de Alimentos da Universidade de São Paulo (USP), lançará este ano o 1º Sumário de Touros Marchigiana.
Inicialmente para a avaliação genética estão sendo controladas e avaliadas as DEPs (Diferenças Esperadas de Progênie) para as seguintes características: peso ao nascer, peso à desmama, peso aos 12 meses, peso ao sobreano e circunferência escrotal. A partir deste sumário os criadores da raça passarão a ter seus animais, geneticamente avaliados e, comercialmente, valorizados.
Resistência A ABCM junto com a USP também já realizou testes com a raça para medir adaptabilidade, sensibilidade ao calor, que no caso de bovinos europeus seria, entre outros fatores, limitador do desempenho. Os resultados destes testes serão divulgados durante a exposição de Londrina. De acordo com técnicos da USP, responsáveis pelo projeto, outras raças européias, de importância na pecuária brasileira, também deverão ser testadas, visando estabelecer uma escala para a escolha de animais para cruzamento.
Marchigiana Até o final de 97 o serviço de registro genealógico da associação de criadores, totalizou 20.295 animais PO e PC registrados. Os mestiços (meio-sangue, 3/4 e 7/8) somaram 33.696. Existem 230 produtores associados. Os bovinos marchigiana têm origem na Itália. No Brasil, em 1965, um criador gaúcho adquiriu doses de sêmen da raça que foram também distribuídos a outros criadores. Importações da raça acontecerem em 1971, 72, 75, e 95. Hábil a campo A Associação Brasileira e a Associação Nacional de Criadores da Raça Charolesa, em conjunto com o Ministério da Agricultura e Secretaria de Agricultura, também está fazendo testes de avaliação à campo de animais da raça, uma das mais antigas criadas no País. Objetivo é avaliar capacidade individual de ganho de peso dos reprodutores machos. A avaliação soma três fases e ainda não está concluída.
A Associação Brasileira, fundada em 1958, em Júlio de Castilhos (RS), hoje fica em Santa Maria (RS). Possui mais de 600 associados. A entidade é delegada pelo Ministério da Agricultura para emitir registro genealógico PC da raça charolesa. A origem do charolês é a França. No Brasil os primeiros animais chegaram em 1885, em Pelotas (RS). Hoje o rebanho brasileiro estimado é de 100 mil PCs, e 50 mil POs.
Limousin De acordo com a Associação Brasileira dos Criadores de Limousin (ABCL), com sede em Londrina, a raça é a terceira de corte na venda de sêmen no Brasil. O dado é baseado no relatório da Associação Brasileira de Inseminação Artificial (Asbia), de 1996. O nome foi tirado da região do Alto Limousin, na França. Há datações que indicam a presença da raça há aproximadamente 7 mil anos. O limousin chegou ao Brasil no final do século passado.
O rebanho de machos limousin com registro definitivo no Brasil é de 2.473 e o de fêmeas 9.506. Há ainda o registro provisório para 3.754 machos e 1.657 fêmeas, além de 87 machos importados e 1.372 fêmeas importadas. No total de animais PO e PC, nacionais e importados, registrados no País, não estão somados os mestiços (1/2, 3/4 e outros), porque a raça é usada também por muitos criadores que não são sócios da ABCL.
Crescimento muscular Pesquisa do Instituto Técnico de Criação Bovina, da França, mostra que o crescimento muscular dos bovinos limousin é de 620 gramas/dia. Em ganho de peso registrou-se rendimento de 1.200 quilo a 1.350 quilo/dia na média para os bezerros. Dos 9 aos 16 meses o rendimento dos bezerros, carcaça quente em relação ao peso vivo vazio, é superior a 70% e o rendimento muscular, em relação ao peso de carcaça, alcança 84%.
Dentro das mesmas condições experimentadas por 100 quilos de peso vivo, o bezerro limousin fornece 53 quilos de carne. De acordo com dados da associação, o valor da carne de limousin é reconhecido pelos comerciantes europeus que pagam até 10% a mais por quilo do animal ou pelo resultado de seus cruzamentos industriais.
Os meio-sangue Os bovinos meio-sangue limousin com nelore, a nível de campo, aos 20 meses tem atingido 18 arrobas e rendimento de carcaça na ordem de 57% a 59%. Na França foi observado que o índice de parição média das fêmeas é superior a 95%. Os intervalos médios entre partos para a raça são inferiores a 375 dias. Criadores de limousin desmamam em média 3 bezerros por 100 vacas cobertas.





