As novas regras de comercialização
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sexta-feira, 21 de março de 1997
Carmem Murara Sucursal de Curitiba 
Kraw PenasNormasO diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, anuncia regras para plantio de trigoAs normas foram anunciadas pelo diretor de Economia Agrícola do Ministério da Agricultura, Benedito Rosa do Espírito Santo, em uma reunião na Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) e Secretaria da Agricultura. O plano para este ano deve ser aprovado no próximo dia 27 pelo Conselho Monetário Nacional.
As medidas anunciadas agradaram as entidades representantes dos triticultores. O gerente do Departamento Econômico da Ocepar, Nelson Costa, disse que as regras farão com que haja um estímulo aos produtores para que eles plantem trigo. No ano passado, quando começou a colheita da safra, houve uma queda muito grande do preço. Com isso, as lideranças do setor orientaram os produtores a trocar o trigo por outras culturas. A troca poderia ser feita pelo milho-safrinha ou pela soja.
VantagensCom a introdução dos leilões do Programa de Escoamento da Produção (PEP) e a redução da safra argentina, houve um aquecimento no mercado. Os preços reagiram, fazendo com que as lideranças voltassem a incentivar o plantio. Embora a lavoura de trigo não seja tão rentável, ela é importante porque representa uma redução de 15% no custo de produção da soja que é plantada na sequência, afirmou o presidente da Federação das Cooperativas de Trigo e Soja do Rio Grande do Sul, Rui Polidoro Pinto. O custo cai devido à permanência de um residual de fertilizante no solo.
Arquivo FRO Paraná pode voltar a se interessar pelo trigo
Além desta vantagem, o trigo é colhido entre os meses de setembro e novembro, quando não há colheita de nenhuma outra lavoura. Assim, o trigo se torna uma das únicas fontes geradoras de receita para os municípios que sobrevivem da agricultura. O trigo provoca um aquecimento na economia de muitos municípios do interior do Estado, afirmou o gerente do Departamento Econômico da Ocepar. Em outubro, vence também a primeira parcela da securitização da dívida agrícola e o dinheiro da comercialização do trigo pode ser usado para quitar os débitos.
As medidas para o plantio e venda do trigo devem estimular ainda mais os produtores. Entre as garantias anunciadas está a garantia da manutenção do preço mínimo da tonelada. Em 96, o preço mínimo foi de R$ 157,00 e o valor se manterá inalterado. Os produtores esperavam um aumento no valor, mas se sentiram satisfeitos ao ver que pelo menos não houve uma redução do preço mínimo, como ameaçava o Governo Federal.
Outra determinação do Ministério foi a redução de 4% para 3% na alíquota do Proagro (Programa de Garantia à Atividade Agropecuária). A redução vale apenas para os produtores que adotarem o sistema de plantio direto, modelo que o Governo Federal pretende incentivar este ano, afirmou Benedito Rosa do Espírito Santo. Na safra passada, 20% de toda a área plantada foi feita através do plantio direto. A área plantada de trigo chegou a um milhão de hectares, em 96. Segundo previsão do Departamento de Economia Rural da Secretaria da Agricultura, a área plantada deste ano deve ser de 750 mil hectares.


