As limitações do turismo rural
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 12 de abril de 2002
Carolina Avansini Reportagem Local 
Muitas vezes divulgado como a salvação da lavoura para propriedades em busca de diversificação, o turismo em espaço rural realmente traz possibilidades de agregar renda, mas também apresenta algumas limitações. De acordo com Rita de Cássia Ariza da Cruz, doutora em geografia e professora da Faculdade Anhembi-Morumbi em São Paulo, o principal limite da atividade turística no Brasil são as condições sócio-econômicas da população.
Segundo ela, 60% das famílias brasileiras vive com apenas dois salários mínimos e apenas 10% a 20% da população têm condições de fazer turismo. Essa dificuldade diz respeito à atividade turística em geral, a maioria das pessoas não têm dinheiro para lazer. Existe um marketing que cria a ilusão do turismo como salvação da pátria, mas quando cruzamos alguns dados, percebemos que há distorções, explicou.
A professora, que é autora dos livros Introdução à Geografia do Turismo e Política de Turismo e Território, esteve em Londrina na semana passada participando do 1º Simpósio Regional de Desenvolvimento Turístico, realizado na 42º Exposição Agropecuária e Industrial de Londrina.
LimitesAlém do orçamento apertado da maioria dos brasileiros, o perfil do público de turismo rural é outra limitação para a atividade. Apesar de não haver pesquisas sobre a demanda por esse ramo de atividade no País, ela concluiu, por observação, que a procura por esse tipo de diversão é essencialmente regional, ou seja, as pessoas buscam propriedades próximas de suas residências. Por isso, não adianta querer transformar um negócio de turismo rural em grande empreendimento, argumentou.
Outra constatação é que o público é composto principalmente por famílias de classe média. Para atrair outros segmentos, como os jovens, é necessário investir em turismo de aventura ou ecoturismo, por exemplo. Mas isso depende das condições da propriedade, afirmou.
SoluçõesApesar das limitações, Rita de Cássia acredita que a atividade tem aspectos favoráveis. Além de promover a diversficação, permite agregar valores. Um exemplo é a venda de produtos feitos na propriedade, observou. Também defende que trata-se de um mercado com grande potencial de exploração. Sabemos que 82% da população brasileira vive em áreas urbanas. Como as pessoas viajam em busca do exótico, o meio rural se tornou extremamente atrativo, pois reúne características que as cidades perderam.
Para explorar melhor a atividade, ela recomenda alguns cuidados. Um deles é investir no segmento apenas como opção de diversificação, sem abandonar as atividades agropecuárias tradicionais. Oferecer serviço de qualidade, em ambiente agradável e com preço acessível, é outra exigência.
O sucesso depende também da busca de parcerias com órgãos públicos e entidades de apoio, como o Sebrae, para a criação de um plano regional de desenvolvimento que envolva vários produtores. Não dá para produtor pensar isoladamente.


