Maçã, pera, uva, pêssego. É na província de Mendoza, na fronteira com o Chile, que elas alcançam o vigor e o sabor para agradar o exigente mercado internacional. Os produtores dessa região, semi-árida, utilizam canais de irrigação com a água que resulta do degelo da neve que cobre os picos mais altos da Cordinheira dos Andes. Não é a toa que o local atrai turistas de toda a Argentina e de outros países para as suas pousadas próximas às montanhas. São pessoas interessadas tanto no turismo de aventura quanto no chamado roteiro do vinho. Mendoza, com seus vinhedos, faz da Argentina o maior produtor de uva da América do Sul e quinto produtor mundial perde para a Itália, França, Espanha e Estados Unidos. Só o Estado é responsável pela produção de 1,5 bilhão de quilo de uva por ano e dos vinhos mais famosos da Argentina.
Foi em Mendoza que os grupos da Federação de Agricultura do Estado do Paraná (Faep) encontraram o Viveiro Mercier, que produz três milhões de mudas de videira por ano, sendo dois milhões com enxerto (com preço de venda entre US$ 0,80 e US$ 1 cada) e um milhão sem enxerto (preço variando entre US$ 0,20 e US$ 0,30).
Grande parte do custo de produção do enxerto (o viveiro não revela a quantia) deve-se ao material importado da França, como o porta-enxerto do tipo ''cavalo''. Os pés, no sentido vertical, possibilitam maior aproveitamento da área.
Brasil e Rússia são os principais importadores de outra empresa de Mendoza, a Salentein, que produz frutas, principalmente maçã, pera e pêssego. Tudo com ajuda da irrigação. A empresa também é responsável pelo processamento e empacotamento das frutas para a exportação, que tem na Inglaterra o seu cliente mais exigente e pela qualidade paga 15% a mais do que os outros compradores.
Para a economista da Faep, Gilda Borges, a visita técnica às empresas de Mendoza foi muito proveitosa porque mostrou que nessa área os argentinos estão bastante avançados, equiparando-se com a Europa e fazendo, inclusive, rastreabilidade e certificação. ''A federação está treinando os produtores do Paraná com cursos de classificação de frutas para que eles possam fazer a seleção do produto'', explicou Gilda. Isso é importante para que o produtor, e não o atravessador, possa ficar com o diferencial pela fruta de melhor qualidade.

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