As causas do déficit comercial
PUBLICAÇÃO
sábado, 08 de fevereiro de 1997
Elvira Fantin Sucursal de Curitiba 
Esta é a explicação de analistas e lideranças do setor agrícola para os números divulgados esta semana pela Secretaria de Comércio Exterior (Secex), atribuindo ao comércio agrícola com os países do Mercosul 40% do déficit da balança comercial brasileira em 96.
De acordo com dados da Secex, em 1996 o Brasil importou US$ 3,2 bilhões em produtos agrícolas dos países que formam o bloco econômico do Mercosul - Argentina, Uruguai e Paraguai - e exportou apenas US$ 877 milhões. A diferença, de US$ 2,3 bilhões, equivale a cerca de 40% do déficit comercial total de US$ 5,5 bilhões registrado pelo Brasil no último ano.
Sem estímuloPara o economista do Ipardes, Gilmar Lourenço, o grande problema é que os cerca de 80 milhões de toneladas de alimentos que o Brasil está prduzino nesta safra, ainda são insuficientes para suprir toda a demanda. Segundo ele, com o Plano Real houve uma recomposição do poder aquisitivo da população, o que provcou o aumento na demanda que vinha reprimida ao longo de anos.
Com isso, na avaliação do economista, houve um crescimento generalizado do consumo e a produção não cresceu na mesma proporção. A produção não cresceu, porque ela não é estimulada no Brasil, onde não há política agrícola, mas apenas planos de safra, observa Lourenço.
O setor agrícola precisa de regras mais estáveis, para dar um horizonte mais estável ao produtor. Estas regras têm que necessariamente envolver política de crédito, preço, assistência técnica, empréstimos internacionais e uma série de medidas para reduzir os custos de transporte, armazenagem e as tarifas portuárias.
CâmbioNa avaliação da Organização e Sindicato das Cooperativas do Paraná (Ocepar), o que torna o Brasil deficitário nas exportações agrícolas é a defasagem cambial. Dados do próprio Banco Mundial indicam uma defasagem cambial de 25% no Brasil, observa José Roberto Ricken, secretário executivo da Ocepar. Para ele, esta política cambial privilegia a importação em detrimento da exportação.
De acordo com Ricken, é fundamental mexer no câmbio, para favorecer as exportações brasileiras. Ele diz que os financiamentos internacionais com prazos longos e juros baixos também dificultam as exportaçõe brasileiras e ainda estimulam as importações. É o que acontece com o algodão e o trigo, por exemplo. As indústrias têxteis e os moinhos têm acesso a estas linhas de crédito internacionais que facilitam a importação das matérias-primas, observa Ricken.
Para o secretário executivo da Ocepar, muitas vezes não é tanto o preço que favorece a importação, mas as condições extremamente vantajosas. Conseguindo um financiamento com prazo longo para pagar, e juro baixo, acaba sendo vantagem importar e trabalhar com o produto aqui até o vencimento da conta, analisa.
Para evitar esta concorrência desleal, que acaba gerando um déficit na balança comercial, o representante da Ocepar sugere medidas como a correção da defasagem do câmbio e que neutralizem os efeitos das linhas de financiamento de longo prazo ou do subsídio na origem, quando comprovado. No caso do algodão, por exemplo, já foi comprovado o subsídio na origem, mas nenhuma medida foi tomada pelo Governo brasileiro, critica o secretário execuivo da Ocepar.


