O plantio da seringueira pode despertar o interesse de muitos produtores a partir do próximo ano. Além da geração de renda na propriedade rural, a expansão da cultura pode ajudar na recuperação de áreas de reserva legal. Resolução da Secretaria do Meio Ambiente do Paraná permite o uso da árvore por um ciclo econômico em conjunto com cinco espécies nativas do Estado. Outra opção a ser adotada é o plantio combinado com café.
  O uso da planta na recuperação da reserva legal poderá ser um estímulo para expansão do plantio no Estado. No Paraná, a área plantada não chega hoje a mil hectares, mas a meta do governo é elevar para 10 mil hectares, nos próximos dez anos. Para isso, um programa de incentivo ao plantio da cultura foi lançado pela Secretaria de Agricultura e Abastecimento e pesquisadores do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) a representantes de cooperativas, na sede da Cocamar Cooperativa Agroindustrial, em Maringá na semana passada. O programa vai contar inicialmente com linha de crédito no valor de R$ 40 milhões.
  De acordo com o pesquisador do Iapar, André Luiz Medeiros Ramos, dentro do sistema agroflorestal, o cultivo da seringueira na recuperação da reserva legal deve respeitar o ciclo econômico de cada uma das plantas. Para cada hectare podem ser cultivadas 200 árvores nativas, 400 seringueiras e ainda pés de café de acordo com a cultivar e o espaçamento variável. De acordo com a legislação ambiental, a recuperação da reserva legal precisa ser feita até 2018.
  ‘‘O cultivo na formação da reserva legal é um avanço e tem se apresentado como boa alterna-tiva’’, informou o pesquisador, lembrando que o programa do governo tem duplo objetivo: a proteção ambiental e a exploração no sentido de obter renda.
  O diretor técnico-científico do Iapar, Arnaldo Colozzi, informou que o Iapar fará cursos direcionados para viveirista e técnicos sobre o cultivo. Também irá divulgar uma circular técnica com informações sobre o plantio para dar suporte ao curso.
  Segundo ele, o custo de implantação do seringal em área pequena custa pouco mais de R$ 4 mil por hectare se o gasto for apenas mudas e insumos. Já em áreas grandes, onde são necessários maquinários, pode chegar a R$ 12 mil o hectare. Existe a possibilidade do uso de recursos do Pronaf-Eco e do Propiflora para o plantio.
  ‘‘A vantagem do plantio em consórcio é que, enquanto a planta não começa a produzir, o produtor pode tirar sua renda das culturas intercaladas’’, informa Pereira. (L.C.)

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