Árvore da Amazônia no Paraná
PUBLICAÇÃO
sexta-feira, 19 de março de 1999
Cláudia Barberato 
O agrônomo de Londrina, Cassimiro Milléo Neto, está propondo o plantio do pinho-cuiabano (Parkia paraensis) na região de Londrina ou em outras regiões que têm condições climáticas favoráveis ao desenvolvimento da árvore. Em regiões de temperaturas e chuvas em maior quantidade, diferente do Norte do País, onde a árvore já é cultivada, espera-se que o desenvolvimento da árvore seja até melhor, afirma.
O pinho-cuiabano, segundo Milléo, é específico para produzir lâminas que resultarão em móveis, caixas e outros materiais e pode tornar-se matéria-prima para indústrias moveleiras ou laminadoras da região de Londrina.
O agrônomo Cassimiro Milléo trouxe as sementes da Rondônia e está empolgado com a adaptação da árvoreAtualmente as indústrias laminadoras da região pagam muito caro pela matéria-prima e o frete do produto, que vem de longe, fazendo com que os custos pesem no bolso do consumidor.
ParceriasUma das dificuldades para iniciar o cultivo na região, de acordo com o agrônomo, seria a aquisição de sementes. Ele propõe parcerias com as empresas do Norte do Brasil, que poderiam instalar-se em Londrina ou região e fazer a comercialização das sementes e mudas. O papel da extensão rural seria fazer o contato dos produtores e indústrias laminadoras, além das indústrias produtoras de sementes.
Milléo iniciou em 1992 a produção de mudas do pinho-cuiabano na região de Londrina. Ele trouxe as sementes de Rondônia, onde estava trabalhando com manejo florestal, para Rolândia, no Norte do Estado.
As mudas foram plantadas em vários municípios da região. Em Pitangueiras, por exemplo, região do arenito, município essencialmente agrícola e sem muita opção de trabalho para os agricultores, o experimento, segundo o agrônomo, foi satisfatório e as árvores tiveram bom desenvolvimento.
As mudas poderiam ser conseguidas de empresas do Norte do País em parceira com produtoresEnquanto o eucalipto demora em torno de 15 anos para dar o ponto de corte, defende o agrônomo, o pinho-cuiabano, em 7 anos apresentou 90 centímetros de circunferência, 10 metros de altura até a inserção dos primeiros galhos, bem perto do ponto de corte ideal (148 centímetros de circunferência).
Também um plantio em Rolândia obteve bons resultados: 170 centímetros de circunferência e 10 metros de altura até a inserção dos primeiros galhos. De acordo com o agrônomo, o manejo de essências florestais permite o corte de uma árvore com 148 centímetros de circunferência ou acima de 45 centímetros de diâmetro da altura do peito ou DAP.
VantagensSegundo Milléo, além do rápido rendimento, outras vantagens do pinho-cuiabano são: retorno econômico garantido a médio prazo; geração de emprego nas agroindústrias de produção de lâminas, nas empresas que trabalham com móveis e compensados, caixas para hortifrutis, além de ser alternativa para terras ociosas de pequenos, médios e grandes produtores que estão sem opção de plantio, devido aos altos custos de insumos, defensivos e sementes.
O agrônomo enumera ainda como vantagem para o cultivo o baixo custo de implantação nas regiões metropolitanas, especialmente na região de Londrina, devido ao clima propício. É uma opção para o desenvolvimento agroflorestal sustentável do meio rural do arenito e do basalto, com o devido manejo florestal adequado.
O pinho-cuiabano, segundo o agrônomo, poderia ser cultivado junto com outras essências nativas. O Norte do Paraná não tem produção de essências florestais para fabricação de lâminas e, hoje em dia, o que tem sido feito é extrair essências nativas. Além de destruir as matas nativas, não há reposição do que é retirado.
No caso do experimento no Norte do Paraná, segundo o agrônomo, o custo foi praticamente zero, já que as sementes foram entregues gratuitamente. Não se usou adubo e o bom desenvolvimento, segundo Milléo, foi favorecido, principalmente, pelas chuvas.
O técnico calcula que o custo de uma muda fique em R$1,00, incluído embalagem e trabalho do viveirista. Ele aposta num trabalho conjunto com o Governo do Estado, junto com a extensão rural e Sistema Estadual de Agricultura, a exemplo do que aconteceu com o eucalipto, para viabilizar um projeto de manejo florestal com o pinho-cuiabano.
Uma das vantagens desse projeto, segundo o agrônomo, é que o valor de mercado do pinho é até maior do que outras essências que são cultivadas no Estado. Há muita demanda por parte das indústrias moveleiras da região, com nenhuma oferta.
O objetivo, ressalta, é chegar a um desenvolvimento florestal adequado para a região, que não possui trabalho nesse setor e propor alternativa de lucratividade para agricultores. Se você pedir para um agricultor plantar uma árvore ele não planta; mas se falar que se plantar dá dinheiro, aí ele planta.


