O Paraná experimenta, neste mês de maio, mais uma etapa de vacinação contra Febre Aftosa. Até o dia 20 espera-se vacinar as mais de 10 milhões de cabeças entre bovinos e bubalinos.
O momento é oportuno para, além da imunização do rebanho, adotar medidas educativas importantes, todas elas voltadas para o melhor efeito imunológico da vacina.
Há no meio rural algumas crenças e vícios que concorrem para se questionar a efetividade biológica da vacina. Não é o momento de se discutir as tradições que se conhece advindas das pessoas mais antigas, como por exemplo, a utilização do querosene na nuca, alho no sal mineral, benzimento e outras crendices. Todos têm o direito de imputar a essas práticas a sua fé na prevenção, desde que não submeta os animais aos maus tratos. Porém a inoculação da vacina é mais importante, porque é fruto da pesquisa e da ciência e sua efetividade é inquestionável.
Antes de tudo faça uma boa limpeza e revisão da pistola de vacinação para que o volume a ser injetado no animal seja a dose correta. Quanto aos vícios ainda temos práticas condenáveis como vacinar de porteira aberta, com correria e estabanação. Aplicação em horários de temperatura elevada pode interferir na conservação da vacina, muitas vezes levadas ao curral em recipientes de isopor com pouco gelo. Proteger a caixa da intensidade direta dos raios solares ajuda na manutenção dos componentes vacinais. O êxito da vacinação está na qualidade e não na velocidade dos serviços. Quanto mais estressante o momento da vacinação menos efetiva será a imunidade que se busca com a vacina. Vacinar é antes de tudo um ato de paciência.
Ainda é importante lembrar a fase pós-vacinal. Vivemos a época da preservação ambiental. Após a vacinação os frascos e demais produtos utilizados para se aproveitar o manejo reunido do gado, como, por exemplo, os vermífugos, precisam ter destino correto, evitando-se erros do passado, onde milhares de recipientes eram jogados nos rios, lagos, cloacas ou então incinerados, exalando gases tóxicos perigosos.
A vacinação deve ser antes de tudo um momento de seriedade com amplitude educativa, sobretudo da mão de obra rural.

WILMAR SACHETIN MARÇAL é médico veterinário e Reitor da Universidade Estadual de Londrina.

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