Arte e detalhes ajudam a apurar tipos da bebida
Como num processo de criação artística, cheio de muitos cuidados e detalhes, o degustador se prepara para a prova de amostras de café. O critério da degustação, entretanto, varia de acordo com o profissional. O ''ritual'', como conta o provador e corretor Marcos Aurélio Bacceti, se inicia com a retirada de uma amostra representativa do lote de café.
Essa amostra é torrada em um ponto mais suave que o utilizado pela indústria. Isso para que os grãos não percam os óleos que os compõem. Esses óleos em contato com a água quente, auxiliam na determinação dos diversos sabores e características da bebida. Essa amostras são testadas em números ímpares de xícaras, entre 5 e 11. O detalhe, a moagem dos grãos sãos feitos em separado para cada xícara, numa quantidade de pó que varia de 7 gramas a 12 gramas. ''Um único grão com sinais de chuva ou paquetado (com fungos), modifica totalmente o sabor'', exemplifica Bacceti.
A fervura da água também tem um ponto ideal que mantenha o oxigênio, responsável pela fixação dos aromas e sabores. A quantidade de água é superior à utilizada para o preparo de um cafezinho, ficando com uma coloração parecida com o chá. Todos esses cuidados são tomados para que se perceba o maior número possível de paladares. Bacceti destaca que a temperatura ideal de prova varia entre o quente e o morno, de acordo com o gosto do provador.
Cada país adota um padrão de bebida. ''Vários lotes de café são utilizados na composição desses padrões de paladares'', informa. Para a Alemanha, como exemplifica Bacceti, são exportados os tipos ''top de linha'', como o café de bebida extritamente mole. Os países do leste europeu preferem cafés mais fracos como o tipo rio. Já nos Estados Unidos o consumidor pede cafés com sabores intemediários.
O café de bebida estritamente mole é o que apresenta paladar suave, com um gosto adocicado bem acentuado. ''Minutos após tê-lo bebido você não percebe mais o sabor do café na boca'', explica Bacceti. O café de bebida rio tem um gosto acentuado de fenol ou iodofórmio. Já o café de bebida dura tem um sabor mais encorpado, forte. ''O gosto permanece na boca por mais tempo depois de tê-lo ingerido''. Por esta característica, segundo Bacceti, ele é bastante utilizado nas ligas, ou blends, que determinam os padrões de bebida.





