Quebra de safra no Rio Grande do Sul por causa da chuva - que prejuicou também produtores de arroz irrigado do noroeste do Paraná - e perdas registradas também nos países asiáticos, vão provocar reação nos preços pagos aos produtores, o que causará reflexos também nas gôndolas dos supermercados. Porém, a expectativa de ganhos não corresponde à redução de oferta: produtores amargam quebras importantes, que, como acreditam, não serão compensadas pela maior remuneração.
De acordo com David Ramos de Menezes, cerealista de Apucarana (norte do Estado), os ganhos só ocorreriam se os produtores conseguissem colher a totalidade do plantio, o que não será possível na maioria das áreas. Ele lembra que a chuva causou problemas até mesmo na época de plantio, atrasando o início da safra no Rio Grande do Sul, maior produtor nacional. ''Grande volume de chuva provoca severas perdas agora na época da colheita no Estado'', afirma.
Kleber Hudson Canassa, presidente da Associação do Produtores de Arroz Irrigado do Paraná, relata que o excesso de precipitações prejudicou as lavouras da região de Querência do Norte, onde se concentra a maioria dos produtores do Estado, também na época de floração. ''A chuva impediu a granação da planta'', explica. A entidade calcula que a perda na floração deve chegar a 20%. ''As perdas na colheita devem alcançar os 30%'', estima. No início da safra, os produtores de Querência do Norte esperavam produzir 700 mil sacas de arroz nos 5,5 mil hectares cultivados.
Canassa afirma que a expectativa é que o preço do arroz tenha alguma reação para compensar minimamente os produtores. Segundo ele, os preços praticados atualmente apenas cobrem os custos de produção. Diante da perspectiva de dificuldades, Canassa afirma que os produtores esperam a interferência do governo no mercado para manter os preços. ''O governo tem dispositivos como os leilões e contratos de opção, além de estoques reguladores'', diz o presidente da associação de produtores.
O cerealista David Menezes prevê aumento dos custos no varejo. Ele lembra que os estoques do governo foram colocados no mercado em 2008 e agora não há volume suficiente para interferir na movimentação dos preços.
Segundo o Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria de Agricultura e Abastecimento do Paraná (Seab), o Estado produz apenas um terço do que consome, demanda que é atendida com o produto trazido do Rio Grande do Sul e Santa Catarina. ''O arroz é cultivado em pequenas áreas. O maior produtor paranaense planta 4,5 mil hectares'', diz Metódio Groxko, técnico do Deral. De acordo com o órgão, nesta safra foram cultivados 22 mil hectares de arroz sequeiro, com produção esperada de 50 mil toneladas, e 20 mil hectares de arroz irrigado, com estimativa de colheita de 130 mil toneladas. As estimativas são do início da safra.
No Brasil, o indicador mais recente da safra nacional, divulgado pela Conab, prevê colheita de 12,030 milhões de toneladas, 4,5% abaixo do produzido em 2008/09. O consumo está estimado em 12,850 milhões de toneladas. Com importações de 1 milhão de t e o estoque inicial de 983 mil t, o suprimento total deve ser de 14 milhões de t no ciclo 2009/10. O órgão espera exportações de 500 mil t na próxima safra. ''Deve haver um aperto na oferta este ano'', aponta a coordenadora técnica do indicador de arroz do Centro de Estudos Avançados em Economia Aplicada (Cepea), Sílvia Miranda. Com isso, segundo a pesquisadora, a conjuntura sinaliza um preço mais sustentado ao produtor. (Com Agência Estado)

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