Arroba do boi gordo tem maior alta do ano
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sexta-feira, 05 de setembro de 2003
Cláudia Barberato<br> Reportagem Local 
Agosto foi o mês de maior alta na arroba do boi gordo em todo o País. A tendência, daqui para frente, é de reação, mas não a exemplo do que aconteceu no mês passado, garante o analista da Scot Consultoria, Fabiano Rosa. Segundo ele, em agosto o boi subiu mais que a carne.
Em São Paulo, por exemplo, o valor do boi subiu 8%. No dia 1º de agosto era negociado a R$ 56, enquanto que na última segunda, dia 1º de setembro, a arroba foi cotada em R$ 61 e deverá permanecer assim, com leves reações (para cima), nos próximos dias.
O equivalente físico do boi a R$ 56 rendeu R$ 48,95 aos frigoríficos em 1º de agosto, numa defasagem entre valor pago e carne (traseiro, dianteiro e ponta de agulha) de 12,6%. Já no dia 1º de setembro esta defasagem ficou em 17,3%, com o boi valendo R$ 61 e equivalente físico a R$ 50,45.
De acordo com Fabiano Rosa, em agosto a reação da arroba aconteceu por vários fatores. Além da oferta menor de animais no período, o que é normal, houve a demanda por animais rastreados para abastecer os abates de exportação do produto. ''Faltou boi, o que forçou esta estilingada do preço'', diz o analista.
Números preliminares do Ministério do Desenvolvimento Indústria e Comércio (MDIC), em agosto, indicam que as exportações brasileiras de carne bovina in natura chegaram a 56,3 mil toneladas em equivalente carcaça, com faturamento de US$ 81,90 milhões. O desempenho superou em 38% a receita e 23% o volume exportado em agosto do ano passado.
Em São Paulo a alta no preço da arroba bate os 8%. No Paraná, na segunda quinzena de agosto houve aumento na cotação de 3,5% de um dia para o outro. E o preço não deve recuar, garante o analista. Os frigoríficos, segundo Fabiano Rosa, sabem que se não pagarem o valor do mercado acabam ''travando seus abates e não terão como atender aos seus clientes.''
Boiadas rastreadas geralmente são mais valorizadas, porém, dependendo da urgência, o preço é o mesmo para os animais não rastreados.
A expectativa é que o boi continue subindo, não no mesmo ritmo, mas continue reagindo até o final do ano. Tem gente apostando nos R$ 70 para a arroba em outubro, pico da entressafra.
Fabiano Rosa continua com uma perspectiva para valores entre R$ 64 e R$ 66. Mesmo com a saída de animais dos confinamentos, a partir do fim deste mês, a oferta de bois deve continuar escassa, o que reflete num mercado firme.
Mesmo com os animais para saír dos confinamentos este mês, o volume não será suficiente para abastecer a demanda. O Brasil tem abate anual de 35 milhões de cabeças e o confinamento total no País soma 1,6 milhão de animais apenas.
No Paraná o valor de R$ 60 pela arroba do boi rastreado não sofreu alteração nos últimos dias. Os frigoríficos funcionam com escalas curtas, normais para o período, de quatro dias, mas sem falha, como aconteceu no ínicio de agosto.


