Nos últimos 30 anos, enquanto a área cultivada com milho cresceu em 50% no Brasil, passando de 8 para 12 milhões de hectares (ha), a produtividade praticamente triplicou. Apesar do rápido avanço, o Brasil ainda mantém a produtividade que os Estados Unidos já alcançavam na década de 1960, média de 3,5 mil quilos (kg)/ha. A densidade de plantas é um dos principais responsáveis pelo baixo rendimento.
De acordo com o pesquisador da Embrapa Trigo, Mauro Celaro Teixeira,a densidade de plantas deve ser escolhida em função da cultivar e da disponibilidade hídrica e de nutrientes no solo. O pesquisador lembra que hoje estão disponíveis no mercado dezenas de cultivares de milho com diferentes características agronômicas, que variam desde a arquitetura da planta até a tolerância a estresses ambientais. ''As cultivares mais precoces, de menor porte e folhas mais eretas, permitem o uso de densidades mais elevadas, podendo variar de 40 a 70 mil plantas/ha'', aponta.
Segundo Teixeira, para obter altos rendimentos na cultura do milho, o produtor deve avaliar se a cultivar e as condições do ambiente são adequadas antes de reduzir o espaçamento e aumentar a população de plantas.
O adensamento de plantas pode significar o melhor aproveitamento da radiação solar, resultando em melhoria do índice de área foliar e conservação da umidade no solo para enfrentar o risco de estiagem. O espaçamento entre fileiras foi reduzido significativamente nos últimos anos, passando de 1,2 metros para 0,80 metros ou 0,40 metros, conforme o ambiente e a cultivar. Para o pesquisador da Universidade Federal do Rio Grande do Sul, Paulo Regis da Silva, o espaçamento na entrelinha não influi diretamente no rendimento, mas contribui no controle de plantas daninhas. Ele sugere espaçamentos de 40 a 50 centímetros entre plantas. ''É preciso adaptar a densidade regionalmente, considerando que uma densidade muito menor é tão prejudicial quanto uma densidade muito grande'', diz. Segundo Silva, a baixa densidade resulta no subaproveitamento da radiação e, consequentemente, no ressecamento do solo, plantas mais altas e espigas com número menor de grãos. Já a alta densidade torna a expansão foliar limitada e a concentração de espigas no dossel, que ocasiona acamamento.

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