Arquitetura da planta facilita colheita de feijão
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sexta-feira, 21 de fevereiro de 2003
Reportagem Local 
A colheita mecânica não é a única vantagem da variedade IPR Juriti, desenvolvida pelo Instituto Agronômico do Paraná (Iapar). O porte ereto, que possibilita o trabalho com máquinas nas grandes áreas, também favorece o arranquio manual nas pequenas propriedades.
Outro ponto importante é que a planta ereta possibilita uma maior ventilação nas vagens, evitando a ocorrência do mofo branco. Outro detalhe é que nesta planta há uma redução nas perdas causadas pelo excesso de chuvas na colheita uma vez que as vagens não ficam em contato com o solo, o que provoca a germinação a deterioração e germinação das sementes. Esse problema é comum nas variedades tradicionais que não têm arquitetura ereta.
é que nas plantas eretas as vagens não ficam em contato com o solo o que reduz as perdas ...
Além dessas características, a variedade IPR Juriti é altamente produtiva em todas as épocas de cultivo. O potencial produtivo é de 3.976 kg por hectare. O rendimento médio de grãos em 25 locais do Estado do Paraná nas safras das águas e da seca entre 1997/1998 e 2001/2002 mostrou acentuada vantagem sobre as variedades que a pesqusia usa como ''testemunhas'', para efeito de comparação. Na média dos ensaios a IPR Juriti produziu 2.658,2 kg/ha contra 2.205,9 kg da variedade Carioca; 2.385,2 kg da variedade Pérola e 2.277,5 kg/ha da variedade Iapar 81. Em média rendeu 16,1% mais que as outras variedades.
A pesquisadora Vânia Moda-Cirino, da Área de Melhoramento e Genética do Iapar explica que a pesquisa está conseguindo colocar à disposição dos agricultores variedades que são: a) mais produtivas, isto é que apresentam maior quantidade de grãos por área, b) que apresentam melhor qualidade de grãos, c) que têm maior resistência às principais doenças do feijoeiro, d) Melhor adptação às diferentes regiões, e) mais tolerantes à seca, f) que tenham atributos culinários que correspondam ao paladar do brasileiro, um grande consumidor de feijão.
Variedades como a Iapar 81, a IPR Juriti e a IPR Graúna (feijão preto) felizmente reúnem essas características de sucesso. É por isso que têm sido procuradas, segundo a pesquisadora.
Houve muito progresso no melhoramento genético do feijoeiro, observa Vânia. A pesquisadora acrescenta que o Iapar conseguiu uma nova combinação genética ao fazer com que plantas portadoras de genes responsáveis por altas produtividades, tolerantes à seca e doenças, também incorporassem genes capazes de lhes conferir uma arquitetura de planta ereta.
''Tudo o que se espera de uma boa planta de feijão está incorporado nas variedades do Iapar notadamente no IPR Juriti, IPR Graúna e Iapar 81. Isso justifica a grande procura por esses materiais, inclusive fora do nosso Estado'', segundo Vânia.
Além do Paraná, essas variedades são cultivadas hoje nos Estados do Rio Grande do Sul, Santa Catarina, São Paulo, Mato Grosso, Mato Grosso do Sul e, mais recentemente, no Maranhão e Piaui.
No ano passado, relatório técnico de órgãos de pesquisa do São Paulo apontou as variedades Iapar 80, IPR 81 e IPR Uirapuru como ''altamente resistentes às três principais raças de antracnose''.
A variedade IPR Graúna (do grupo de feijão preto), além do seu alto potencial produtivo, ainda apresentou boa tolerância a outras doenças que preocupam os produtores paranaenses, o crestamento bacteriano comum e mancha angular. ''Ela tem se destacado muito na safra da seca quando a incidência dessas doenças é elevada.
Sobre a Juriti há outro ponto a ser destacado. Esse material tem se comportado muito bem nas condições de altas temperaturas, seca e acidez de solo.
Boas de panela - As variedades de feijão do Iapar, especialmente a IPR Juriti, são de excelente qualidade culinária - segundo Vânia Moda-Cirino. ''Agradam o consumidor pelo paladar, aroma e coloração do caldo''. A textura dos grãos após o cozimento que leva entre 25 e 30 minutos.
Outro ponto destacado pela pesquisadora é sobre o valor do alimento. Os teores de proteína encontrada no feijão variam entre 18 e 28%. No caso da variedade IPR Juriti, o teor de proteína é de 23%.
SERVIÇO
Para as épocas de semeadura o agricultor deve seguir as recomendações relativas ao ''Zoneamento Agrícola para a Cultura do Feijão no Estado do Paraná'', publicadas pelo Ministério da Agricultura. Sobre novas tecnologias de cultivo consultar o Informe de Pesquisa nº 135, de junho de 2000: ''Feijão Tecnologia de Produção''.


