Armadilha sexual
A armadilha para controle biológico do Migdolus fryanus é composta de uma estrutura de plástico em forma de funil, com uma haste que segura a pastilha do feromônio, acoplada a um reservatório (uma garrafa pet de refrigerante). O corpo da garrafa fica enterrado no chão e a estrutura de plástico fica para fora.
As armadilhas são colocadas no campo, na época em que as fêmeas costumam fazer sua revoada. O macho é atraído pelo cheiro e, confuso e estressado pela procura da fêmea e a competição com outros machos, acaba caindo facilmente dentro da garrafa. Depois de alguns dias a garrafa é desenterrada e é feita a contagem dos besouros, para se ter uma idéia do grau de infestação.
O agrônomo Mário Menezes, da Bio Controle, empresa que comercializa as armadilhas, garante que o controle através do feromônio não causa danos ao ambiente. Outra vantagem é a redução de custos em comparação ao controle com inseticidas.
Quanto custaA aplicação de inseticida custa de R$ 100,00 a R$ 140,00 por hectare (ha). O monitoramento com as armadilhas, garante o agrônomo, custa dez vezes menos. Uma armadilha a cada 15 ha (o tamanho médio dos talhões da cana) têm o custo de R$ 3,00. Será necessário ainda, durante sete meses, período que acontece a revoada de acasalamento, fazer a troca mensal da pastilha de feromônio, totalizando sete trocas a um custo total de R$ 7,00. No final das contas o gasto será de R$ 10,00 a cada 15 ha. A partir deste monitoramento será possível tomar a decisão de controle químico a ser feito na área.
Há também a técnica de coleta massal dos insetos adultos. Neste caso, são colocadas armadilhas a cada 30 ou no máximo 50 metros nos talhões da cana, com objetivo de capturar o maior número de machos. O agrônomo alerta que o efeito do monitoramento com feromônio, aliado à coleta massal, tem um período maior para surtir efeitos no controle da praga. Mas, no final, não haverá desperdício de inseticidas. O levantamento vai direcionar sobre a necessidade, onde aplicar e a quantidade de inseticida a ser usado, com base no número de insetos encontrados.
Outra técnica de controle, ainda em desenvolvimento, é a confusão de machos, que consiste em pulverizar as áreas com feromônio. Com vôos em cima do canavial é possível provocar um tipo de overdose de cheiro de fêmeas, um estresse nos machos e morte dos insetos. Provavelmente esta técnica deverá ser ainda mais barata do que o controle químico, avalia Menezes.(C.B.)





