Umuarama - O Banco do Brasil aumentou em 22% o volume de recursos para custeio da safra 2003/2004 na região do Arenito. Os agricultores da nova fronteira agrícola do Paraná terão a disposição R$ 225 milhões para financiar o preparo e plantio nos solos de areia, área que até cinco anos atrás era considerada imprestável para o cultivo de grãos.
No ano passado, o banco financiou R$ 185 milhões. Os 117 municípios de solo arenoso do Noroeste plantaram 253 mil hectares e colheram em torno de 910 mil toneladas de soja.
Para este ano, a Cocamar estima que a área de soja no arenito chegue a 344 mil hectares, um aumento médio de 36%, com perspectiva de produção de 1,2 milhão de toneladas.
As lavouras de soja, milho e outros grãos no Arenito obtém os mesmos índices de produtividade das regiões produtoras tradicionais, em solos de terra roxa. No inverno, é possível plantar forrageiras (garantindo alimentação para o gado) ou outras culturas de inverno como milho safrinha, feijão, girassol, canola e até trigo e triticale.
De acordo com as pesquisas do Instituto Agronômico do Paraná (Iapar) o clima e o solo do Arenito têm uma série de vantagens em relação a outras regiões. O feijão pode ser plantado mais cedo. O trigo e o triticale estão menos sujeitos à geadas.
A maior vantagem, no entanto, é a recuperação dos solos para retorno da pecuária. Pastagens com capacidade de lotação de 2 a 3 cabeças/ha saltam para 7 a 8 cabeças/ha depois do rodízio de culturas que recuperam a fertilidade do solo. Além das riquezas geradas pela produção agrícola, o Arenito já fatura mais com uma pecuária mais produtiva. As regiões de Umuarama e Paranavaí são os maiores produtores paranaense com um rebanho estimado em quase 3 milhões de cabeças.
Até 1998, apenas alguns aventureiros cultivavam soja e outros grãos nos solos arenosos. Quase 70% dos quase 3,2 milhões de hectares do Noroeste estavam ocupados pela pecuária. A soja ocupava pouco mais de 20 mil hectares em municípios de solos mistos.
A revolução agropecuária da região começou em Umuarama, com um programa simples de arrendamento de terras criado pela prefeitura. O objetivo era recuperar pelo menos 5 mil hectares de pastos degradados. O sucesso do programa foi tanto que acabou se expandindo para outras regiões do Estado.
Pesquisas coordenadas pelo Iapar abriram as portas para os financiamentos e créditos de custeio das safras. Até 2000 os bancos não financiavam nem havia seguro para safras de grãos na região, recomendada apenas para culturas perenes devido à baixa fertilidade do solo e alta propensão á erosão.
Nos últimos três anos, já foram liberados mais de R$ 1 bilhão para o arenito através do Arenito Nova Fronteira e Paraná Pecuário. Segundo informações da Secretaria estadual de Agricultura, o objetivo do Arenito Nova Fronteira é adotar a integração lavoura-pecuária em pelo menos um terço das terras do Arenito. Seriam cerca de 1 milhão de hectares, dos quais 300 mil produzindo aproximadamente uma tonelada de grãos por safra e outros 700 mil recuperados e reocupados pela pecuária.
Segundo o coordenador técnico da Cocamar, Antônio Sacoman, as lavouras no Arenito já alcançam 527 mil hectares no verão (incluindo as lavouras de cana) e 145 mil/ha no inverno, com predominância da aveia.
O coordenador das pesquisas do Iapar no Arenito, Elir de Oliveira, insiste que a produção de grãos na região deve ser adotada apenas como uma opção lucrativa para reformar pastagens e não como uma atividade permanente. Isto por causa da fragilidade do solo e para evitar a troca de uma monocultura por outra. ''A soja produz bem, é rentável, mas a pecuária numa área recuperada dá muito mais lucro'', garante o pesquisador.
Com a soja, pode-se obter cerca de R$ 1 mil de lucro por hectare. Os solos de pastagens recuperados, por meio da integração com lavouras, alcançam uma produção de 58 arrobas de carne por hectare/ano, cuja renda anual gira em torno de R$ 1,6 mil/ ha. Segundo Oliveira, os pastos degradados da região produzem, em média, 4 arrobas de carne/ha/ano.

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