Os produtores do arenito paranaense, onde existem grandes áreas de pastagens degradadas, já têm acesso a orientações específicas para o manejo da soja na região. Segundo o pesquisador Julio Franchini, da Embrapa Soja, os cuidados com a lavoura devem privilegiar a sustentabilidade econômica e ecológica. ''Todos os procedimentos devem considerar a conservação da matéria orgânica do solo, que tem grande importância na definição do potencial produtivo da região e que é altamente suscetível à erosão'', explica.
A indicação de manejo começa pela adequação das áreas de pastagens pela eliminação de tocos de árvores e trilhas de gado, além da correção do solo no primeiro ano para, em seguida, se iniciar o sistema de plantio direto. ''Os estudos indicam que, com a aração dessas áreas, perde-se aproximadamente 10% da matéria orgânica do solo, o que é um fator bastante crítico para a região. Com o plantio direto, a capacidade de armazenamento de água e a fertilidade do solo são preservadas'', orienta o pesquisador.
A adoção da rotação de culturas é essencial para a formação de palhada, protegendo o solo contra a erosão. Para a região, é necessária a produção anual de, no mínimo, sete toneladas de palha por hectare, considerando as safras de verão e inverno. ''Quando essas indicações não são seguidas, a tendência é a degradação do solo ao longo do tempo'', alerta Franchini.
Joaquim Mariano Costa, da Cooperativa Coamo, de Campo Mourão, sugere ainda a alteração do zoneamento climático, que atualmente não autoriza o plantio de cultivares precoces, tampouco semeadura em outubro. ''Isso tem impedido o acesso dos produtores ao crédito rural e aos benefícios de seguro agrícola'', diz. Essa alteração depende de aprovação do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento.

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