Curitiba - Deve-se ao empresário José Eduardo de Andrade Vieira a idéia do zoneamento agrícola de risco climático, criado durante sua gestão à frente do Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA), em 1996.
O zoneamento foi criado para evitar que o Banco Central e o Ministério da Fazenda extinguissem o Proagro (Programa Nacional de Garantia da Atividade Agropecuária) com a assinatura de uma Medida Provisória. ''O programa apresentava um grande prejuízo para o Governo, havia conflitos para prosseguir e queriam que eu estivesse de acordo com a decisão. Obviamente fui contra e eles me pediram uma proposta'', relembra Vieira, acrescentando que o Governo se via obrigado a pagar o Proagro ao agricultor diante dos laudos que apontavam para perdas em função do clima.
''Os financiamentos pelos bancos e seguros de créditos eram muito mal feitos, porque não existiam parâmetros de época de plantio e culturas adequadas. Mas eu sabia que o risco da agricultura não é tão grande, se praticada corretamente e com tecnologia'', conta José Eduardo Vieira. A partir disso, o então ministro da Agricultura propôs que só fosse concedido o empréstimo ao agricultor que cumprisse o cronograma de tempo de plantio, com o uso de insumos recomendados por agrônomos. ''Não é proibido plantar fora da época, mas o banco não empresta dinheiro'', esclarece.
Hoje, os técnicos enfatizam que o zoneamento é uma ferramenta para previnir os riscos na agricultura, primeiramente, e não para indicar momentos de plantio que garantam a melhor colheita. ''As duas versões são verdadeiras. Naquela circunstância foi adotada dessa forma pelo Governo, mas eu sabia que o aumento da produtividade seria uma consequência'', disse Vieira. ''Gostaria de ter avançado mais com esse programa e sei que existem pressões para que se mudem as datas por causa da seca. Mas isso seria um erro brutal'', critica ele, que também é o ''pai'' do Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf).
''O zoneamento não é uma questão política e sim técnica. Mudanças climáticas só se configuram depois de 10 a 15 anos. O agricultor tem de ter a consciência de que, se não choveu durante os 20 dias em que ele iria plantar, deve ficar sem plantar'', explica Vieira, defendendo que o Governo precisa indenizar os agricultores nessa situação, porque sairá mais barato do que financiar até quatro vezes o valor da indenização e perder tudo.
''A verdade é que não há interesse das autoridades no desenvolvimento da agricultura'', avalia, acrescentando que o Brasil só avançou no tocante a sementes geneticamente modificadas e insumos agrícolas por parte da iniciativa privada e também da Embrapa. ''O zoneamento agrícola de risco climático não modificou em nada nestes dez anos. O que fizemos permanece porque foi bem feito'', conclui. (F.G.)

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