Áreas de refúgio protegem tecnologia
A luta contra as lagartas do milho ainda não é uma batalha vencida. As pragas podem desenvolver resistência também à enzima da bactéria Bacillus thuringiensis (Bt), admite o gerente de biotecnologia, Hernán Mora. Com o objetivo de impedir ou atrasar o desenvolvimento de populações de insetos resistentes à tecnologia, foi criada uma estratégia de manejo que determina a destinação de uma área de refúgio. O produtor deve deixar uma faixa com híbridos convencionais ao lado do cultivo resistente de pelo menos 10% do total plantado, informa Mora.
Essa faixa, continua a explicação o gerente de biotecnologia no Brasil, Odnei Fernandes, permitirá o surgimento de pragas suscetíveis, em quantidade suficiente, para cruzar com os prováveis adultos resistentes, que venham surgir do cultivo transgênico. A resistência da população de insetos seria diluída na geração de filhos desse cruzamento e a proporção de indivíduos resistentes se manteria como no início.
Segundo a Monsanto, a proporção de refúgio foi determinada a partir dos resultados de estudos conduzidos por especialistas de diversos institutos de todo o mundo, considerando numerosos parâmetros das pragas de objetivo e utilizando simulações matemáticas. O refúgio deve estar dentro do mesmo lote dos trangênicos e, conforme orientação, para áreas com até 1,5 mil metros de largura a localização ideal seria o fundo do plantação. Já para áreas maiores a indicação é para um talhão no meio da lavoura. Essa área de refúgio consta em um acordo firmado entre a indústria de sementes e entidades de biotecnologia do país.
Mora admite que não há uma fiscalização sobre a destinação do refúgio mas, segundo avaliação dos técnicos, pelo menos 85% dos produtores de milho transgênico cumprem o acordo. Desse total, 65% seguem criteriosamente as recomendações quanto às regras do refúgio. A medida, segundo Odnei Fernandes, também deve ser adotada para o Brasil, mas os critérios, como não há cultivo comercial, ainda não estão definidos.





