Área reduz nos Estados Unidos
T R I G O
Área reduz nos Estados Unidos
No último dia de março de cada ano o Departamento de Agricultura dos Estados Unidos divulga os resultados do levantamento de intenção de plantio dos produtores americanos para as principais culturas, entre elas o trigo.
No caso do trigo, são apresentados os números do plantio da safra de inverno (que ocorreu no outono, ou seja, no final do ano passado) e a intenção de plantio da safra de primavera, cuja semeadura ocorre a partir de final de março.
A área plantada com trigo de inverno nos Estados Unidos é de 17,5 milhões de hectares, praticamente igual à da safra anterior com redução de apenas 0,4% mas suficiente para que esta área esteja entre as menores das últimas duas décadas.
A área total a ser plantada com trigo de primavera (durum e outros tipos) está estimada em 7,45 milhões de hectares, 5% inferior à área plantada na safra passada e a menor desde 1988. A maior redução está ocorrendo na área plantada com trigo durum, que deve ocupar 1,46 milhão de hectares, 10,5% a menos do que na safra anterior e a menor área desde 1993. No total, área a ser ocupada com trigo nos Estados Unidos entre inverno e primavera é de cerca de 24,96 milhões de hectares, a menor desde 1973.
Tomando como base estes números para a área plantada nos Estados Unidos e usando os valores médios dos últimos 5 anos para a relação entre área colhida e área plantada e também para a produtividade média, a produção americana de trigo chegaria a 57,84 milhões de toneladas. Deste total, 41,91 milhões de toneladas seriam obtidos na safra de inverno, 15,93 milhões na safra de primavera composta por 2,92 milhões de toneladas de trigo durum e 13,1 milhões de toneladas de outros trigos de inverno.
Se esta produção for atingida, será 7,7% inferior à da safra passada e a menor desde 1991. O relatório mensal do USDA para a produção mundial sai na semana que vem, mas os números de produção e consumo da safra 00/01 que está iniciando no Hemisfério Norte só devem sair nas estimativas de maio. Em todo o caso, as cotações do trigo na Bolsa de Chicago subiram 10 centavos por bushel após a divulgação desses números.
Preços mínimos
Finalmente o Conselho Monetário Nacional (CMN) aprovou os novos preços mínimos para o trigo brasileiro, a vigorarem na safra deste ano 2.000. Os valores estão apresentados na tabela, por classe e tipo do grão. O menor valor é de R$107,49/tonelada (R$6,45/saca) para o trigo tipo 3, classe outros usos.
O maior valor, de R$205/t (12,30/saca) é para o trigo tipo 1, classe pão/melhorador/durum, 10,8% superior ao preço mínimo anterior que era de R$185/tonelada (R$11,10/saca). A opinião geral é de que o preço mínimo melhorou mas não resolve a situação dos produtores se por acaso o preço de mercado ficar abaixo do mínimo, pois a estimativa para o custo de produção por tonelada é superior ao novo preço mínimo. Agora vai depender das condições climáticas, que podem contribuir para reduzir o custo por saca produzida (com produtividade maior e menor gasto com defensivos).
TABELA - PREÇOS MÍNIMOS PARA O TRIGO, SAFRA 2000
Tipo - pH mínimo - Preços mínimos - R$/t1 - - -
- Classes - - -
- Outros usos - Brando - Pão/Melhorador/Durum -
1 - 78 - 125,22 - 178,40 - 205,00
2 - 75 - 116,35 - 169,54 - 194,47
3 - 70 - 107,49 - 151,81 - 178,40
Fonte: Conab
(1) Regiões Amparadas: Centro-Oeste, Sudeste, Sul e Bahia. Início da vigência: agosto de 2.000
Francisco C. Guimarães
e-mail: [email protected]
M I L H O
Área plantada cresce nos EUA e fica abaixo da média
O USDA divulgou a intenção de plantio dos produtores americanos para a safra 00/01. Tanto para milho quanto para soja a área plantada deve crescer em relação à safra anterior. O crescimento, no entanto, é modesto, ao redor de 1% para as duas culturas.
No caso do milho o aumento previsto na área plantada é de 0,6%, mas num país que cultiva mais de 30 milhões de hectares, este 0,6% representa 181 mil hectares, que é um pouco inferior a toda a área plantada com milho este ano no Estado do Mato Grosso.
A área prevista por enquanto, para ser ocupada pelo milho no ano safra 00/01, é de 31,52 milhões de hectares, levemente acima da área plantada na safra anterior, mas 1,3% inferior à área recorde já plantada com milho nos Estados Unidos que é de 32,44 milhões de hectares plantados em 1998 (safra 98/99).
Estes números são preliminares, pois o plantio de milho nos Estados Unidos apenas começou. Até final da semana passada apenas 2% da área prevista estavam efetivamente plantados um ritmo igual à média histórica (5 anos) que também é de 2% nesta mesma data.
O plantio do milho é anterior ao da soja, que só começa no final de abril. Por isso, ao longo do mês de abril e até o término da época do plantio do milho, o mercado em Chicago vai apresentar oscilações constantes entre os preços da soja e do milho. A razão é simples: quaisquer problemas com o plantio do milho deve elevar seu preço e reduzir o preço da soja, porque a área que não é plantada com milho é redirecionada para soja.
Safrinha
No Brasil, a atenção está voltada para a colheita da safra de verão e plantio da safrinha. Até início da semana passada, 65% dos 1,1 milhão de hectares que devem ser plantados com milho safrinha este ano no Paraná, estavam efetivamente plantados (equivalente a 715 mil hectares).
O plantio continua atrasado, como demonstra o gráfico e pouco pode ser feito em relação a este fato. Terá grandes chances quem plantou cedo (Região Norte) e colherá mais cedo. Quem plantou mais tarde corre o risco das geadas. Resta torcer.
Aparentemente, o plantio de safrinha estava mais atrasado em março de 1998, mas o percentual plantado neste ano se refere a 20 de março, um pouco antes da data de 2000. Enfim, o plantio atual deve estar tão atrasado quanto em 1998. Só para lembrar, o atraso do plantio em 1998 não foi sinônimo de desastre, pelo contrário. Naquele ano, a produtividade foi a segunda maior da história. Continuem torcendo.
Vania Di Addario Guimarães - Profª da UFPr
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CAFÉ
Recuperação lenta dos preços
Devido ao atual problema de baixos preços do café, os maiores produtores mundiais, Brasil e Colômbia, estão com a intenção de reter até 6 milhões de sacas no ano safra 2000/2001. Esta intenção está sendo formalizada à Associação dos Países Produtores de Café (APPC), com o intuito de recuperar os preços do produto.
Na verdade está havendo uma elaboração, por parte de autoridades ligadas ao setor no Brasil e Colômbia, de uma política de ordenamento desta possível retenção, sem constar ainda percentuais a serem retidos dos tipos de café, e nem dos respectivos preços. O importante é que o atual estoque mundial do produto seja enxugado o mais rapidamente possível, para que os preços possam se recuperar.
Cenário dos Preços
Na semana passada houve uma grande redução nas compras por parte das torrefadoras no mercado internacional, determinando o fim do pico da demanda de inverno no Hemisfério Norte. O resultado disso foi uma pequena queda nos preços na Bolsa de Nova York. As torrefadoras estarão tranquilas por mais algumas semanas quanto à compra de café, pois os estoques cresceram mais de 500% em relação ao ano passado, devido às exportações do México e da América Central nas últimas semanas.
No Brasil os preços vêm apresentando comportamento um pouco mais animador nas últimas semanas.
Na Tabela a seguir podemos conferir a variação semanal dos preços do café no mercado paranaense. Nota-se que a tendência tem sido de queda nos preços desde o início do ano e a partir do mês de março os preços vêm se recuperando lentamente, com um percentual acumulado de alta de aproximadamente 12% em março.
TABELA - PREÇOS MÉDIOS SEMANAIS DO CAFÉ AO PRODUTOR PARANAENSE, JANEIRO/ABRIL - 2000.
Semana - Preço (R$/kg renda) Relação Período Anterior (%) Semana - Preço (R$/kgrenda) - Relação Período Anterior (%) -
7 janeiro - 2,96 - -1,33 - 25 fevereiro - 2,55 - -8,93 -
14 janeiro - 3,08 - 4,05 - 03 março - 2,30 - -9,80 -
21 janeiro - 3,05 - -0,97 - 10 março - 2,35 - 2,17 -
28 janeiro - 3,00 - -1,64 - 17 março - 2,58 - 9,79 -
4 fevereiro - 2,90 - -3,33 - 24 março - 2,60 - 0,78 -
11 fevereiro - 2,85 - -1,72 - 31 março - 2,61 - 0,38 -
18 fevereiro - 2,80 - -1,75 - 07 abril - 2,65 - 1,53 -
Fonte: SEAB/DERAL e AGROMARKET.
Maurício Vaz Lobo Bittencourt - Prof. Dept. Economia da UFPR
e-mail: [email protected]
CARNE BOVINA
Preços elevados ao consumidor
Tem-se repetido exaustivamente nos meios de comunicação, que as vendas de carne bovina no Brasil se mantêm fracas no atacado e no varejo, em função dos elevados preços da carne e do baixo nível de renda dos consumidores.
Apesar do efetivo volume consumido de carnes ser de difícil mensuração no País, tendo em vista o abate clandestino e as vendas informais, indicações do mercado apontam para uma certa estagnação das vendas per capita de carnes já há vários anos.
Da mesma forma verifica-se que o nível de renda da população tem-se mantido relativamente estável, a partir do maior controle da inflação pós Plano Real.
O nível de preços das carnes passa, então, a ser o principal indicador econômico com influências de curto prazo sobre o provável desempenho das vendas e consumo de carne no mercado interno. Assim, pode-se inferir, dado um cenário de renda estável, que as vendas caem com a elevação dos preços, e vice-versa.
Alta de 10 a 15 % em 12 meses
No momento pode-se afirmar que os preços da carne bovina encontram-se em níveis elevados para o consumidor brasileiro, tendo em vista que seus valores nominais são os maiores já praticados desde a implantação do Plano Real, em 1994.
A tabela ao lado apresenta os preços de alguns cortes de carne bovina ao consumidor paranaense em abril dos últimos 4 anos. São seis os cortes relacionados: mignon, alcatra, coxão mole, patinho, carne moída de primeira e contrafilé.
Segundo a tabela, todos esses produtos registram atualmente seus maiores valores do período em questão. O mignon, por exemplo, é cotado atualmente em R$12,63 o quilo, contra R$10,95/kg em abril do ano passado, R$7,98 em abril/98 e R$7,99 em abril/97. Nesse produto, os aumentos de preços (considerando os meses de abril) foram de 37% de 1998 a 1999 e de mais 15% de 1999 para 2000.
Nos demais cortes de carne bovina, relacionados na tabela, os aumentos oscilaram entre 11% e 18% de abril/98 a abril/99 e de mais 10% a 17% de abril/99 a abril/2000.
Salário-Mínimo
Um comparativo entre a evolução do valor do salário-mínimo, agora em R$151/mês, e o valor da carne bovina nos últimos dois anos, mostra uma certa desvantagem do salário frente aos preços de mercado da carne bovina.
Nos últimos dois anos o valor do salário-mínimo subiu 25,8%, passando de R$120 para R$136/mês (+ 13,3 % de 1998 para 1999) e agora para R$151/mês (+ 11% de 1999 para 2000). No mesmo período, o reajuste médio da carne bovina foi de 35,3%, sendo de 18,8% de 98 para 99 e de 13,8% de 99 para 2000.
Outras carnes
No acumulado dos últimos dois anos, os reajustes de preços da carne bovina ao nível de consumidor também superaram aqueles observados nas carnes suína e de frango.
De abril/1998 a abril/2000, a carne suína subiu em média 14,1% e a de frango apenas 2,2%.
José Roberto Canziani
TABELA - PREÇOS DA CARNE BOVINA, SUÍNA E DE FRANGO AO CONSUMIDOR PARANAENSE EM ABRIL DOS ÚLTIMOS 4 ANOS.
- - - - - - - Em reais por quilo
Data - Abr/97 - Abr/98 - Abr/99 (A) - Atual (B) - B/A %
Cortes de carne bovina
Mignon 7,99 - 7,98 - 10,95 - 12,63 - 15,3 -
Alcatra - 4,59 - 5,01 - 5,84 - 6,48 - 11,0 -
Coxão mole 3,90 - 4,25 - 5,03 - 5,54 - 10,1 -
PATINHO - 3,71 - 4,00 - 4,63 - 5,38 - 16,2 -
MOÍDA 1a. 3,23 - 3,67 - 4,17 - 4,91 - 17,7 -
CONTRA-FILÉ (*) - 3,00 - 3,56 - 3,97 - 4,47 - 12,6 -
Carnes suína
Lombo - 5,70 - 5,41 - 6,28 - 6,02 - -4,1 -
Paleta (*) - 3,09 3,31 - 3,57 - 3,41 - -4,5 -
PEernil(*) - 3,85 - 3,19 - 3,64 - 4,08 - 12,1 -
Frango Inteiro
Congelado 1,23 - 1,36 - 1,40 - 1,43 - 2,1 -
Resfriado 1,21 - 1,35 - 1,32 - 1,34 - 1,5 -
FONTE: Dados Básicos SEAB/DERAL
(*) carnes com osso (B) em 17/03





