Criada em junho, em caráter provisório, a Acopar é formada por 10 cooperativas (uma central e 9 singulares), e deverá ‘‘defender os interesses dos produtores, representá-los na Abrapa (Associação Brasileira dos Produtores de Algodão), reivindicar ao governo Federal políticas de crédito e armazenagem e tentar influir nas decisões governamentais referentes à importação de fibras e de produtos têxteis’’, diz Almir Monticelli, presidente da Coceal (Cooperativa Central de Algodão).
Acrescenta que, além disso, a associação deverá adotar estratégias de marketing destinadas a influenciar indústria têxtil, valorizar a fibra e incentivar o plantio. Monticelli foi escolhido provisoriamente como presidente da Acopar, até a constituição oficial da associação, que deverá ocorrer dentro de cerca de 30 dias, na assembléia de fundação e eleição da diretoria. A Acopar é constituída pelas cooperativas Coceal (Cooperativa Central de Algodão, que representa suas 4 filiadas – Valcoop, Integrada, Corol e Cofercatu), Cocamar, Coagel, Coagru, Coamo, Copagril, Coopervale, Copacol, Coopavel e Cotrefal.
Lucro maiorAlém da associação recém-criada, as iniciativas isoladas de agricultores e grupos de produtores organizados por cooperativas estão se multiplicando nas regiões Norte e Oeste do Estado, indicam que a produção de algodão no Paraná deverá crescer bastante nos próximos anos. Na atual safra, a cultura deverá ocupar cerca de 50 mil hectares, o que é pouco, ainda, pois representa menos de 10% da área que chegou a ser ocupada por algodão quando o Paraná era o maior produtor brasileiro.
Monticelli é produtor de algodão no município de Jataizinho. Ele afirma que vários fatores têm contribuído para o retorno da cotonicultura como ‘‘opção viável e muito mais lucrativa que a soja’’, tanto para o pequeno produtor como para quem produz em grande escala. Entre os motivos, ‘‘o lucro por área plantada pode chegar até três vezes mais que o obtido na soja’’.
Ele conta que vai plantar 15 alqueires com tecnologia para colheita mecânica e 5 alqueires no cultivo para colheita manual. Faz ainda um cálculo simples, para demonstrar que é lucrativo para um pequeno produtor cultivar 2 alqueires de algodão com equipamentos simples, como plantadeira manual, chapa, para capina e mão-de-obra familiar para raleação e colheita. ‘‘Descontando 150 arrobas/aqueire para todas despesas com mão-de-obra, custo de sementes, inseticidas e adubo, colhendo 400 arrobas/alqueire, sobram 250 arrobas – se forem vendidas a R$9,00, multiplicando-se por 2 (área de 2 alqueires), esse produtor pode ter uma renda mensal de R$375,00.
‘‘Quando uma cultura como soja ou milho lhe daria tal rendimento? Ou, se o produtor morasse na cidade, pagando água, comprando comida, etc, e coisas que no sítio tem à mão, quando teria um salário ‘limpinho’ com este valor?’’, pergunta o presidente da Acopar.
JardimMonticelli faz uma ressalva: ‘‘o produtor tem que cuidar muito bem da lavoura, como se fosse um jardim. Mas, vale a pena começar com uma área pequena, um alqueire, por exemplo. Assim, o lavrador vai aprender a lidar com a tecnologia hoje disponível. Faz um teste, aprende e depois vai aumentando gradativamente. Não tem erro, mas o tempo tem que ajudar, pois nos três últimos anos tivemos clima favorável, que foi excepcional para o algodão’’, acrescenta,
Variedades precocesEntre os fatores que tornaram possível a volta da cotonicultura, o presidente da Acopar cita a mudança na época recomendada para o plantio, que antes era de 20 de setembro até 20 de outubro, e agora se estende até 30 de novembro, para evitar a coincidência da colheita com o período chuvoso, um dos grandes problemas que ocorriam no passado. Foram desenvolvidas novas variedades, mais precoces, produtivas e com melhor rendimento de fibra (em especial a CD 401, da Coodetec e as três do Iapar que serão lançadas comercialmente no próximo ano – IPR 94, 95 e 96, de ciclo intermediário), que também têm incentivado grande número de produtores a plantar algodão.
Além disso, enumera a criação de produtos químicos mais eficientes para controle de ervas e de pragas, a adoção de um sistema eficiente de manejo integrado e também a tecnologia adaptada para colheita mecânica, com o uso de produtos como regulador de crescimento, maturador e desfolhante.
Grupos para colheita mecanizadaO primeiro grupo de produtores organizado em Guaíra, na safra 97/98, para colheita mecanizada, planta a quarta safra consecutiva, com tecnologia apropriada para a colheita mecânica, que usará máquinas alugadas.
Aquele grupo foi formado por iniciativa da Cooperativa Agropecuária de Produção Integrada do Paraná, que formou mais três grupos, nos municípios de Uraí, Goioerê e Assaí. Os agrônomos da cooperativa fazem o planejamento do plantio escalonado, dão assistência técnica em todas as fases da cultura e a Integrada avaliza o aluguel das máquinas. Em contrapartida, os produtores se comprometem a seguir todas as recomendações técnicas, adquirem os produtos na cooperativa e lhe entregam a produção.
Essa parceria deu tão certo que no próximo ano outras regionais da Integrada, como as de Maringá e Floraí também adotarão o sistema de grupo fechado para viabilizar o aluguel de colheitadeiras. Francisco Leopoldo Piccioni que até janeiro passado gerenciou a regional da cooperativa em Guaíra e agora é gerente em Uraí organizou um grupo de 12 agricultores que vão plantar 120 alqueires naquele município. ‘‘Aqui no Norte os produtores estão conscientes de que é preciso fazer rotação de culturas e, além disso, o algodão remunera bem mais que a soja e é a melhor solução principalmente para quem tem pouca área’’, comenta o gerente.
O grupo de Guaíra, iniciado pelo engenheiro-agrônomo e produtor João Francisco Sanches Filho, também fechou este ano com 12 produtores que cultivarão 275 alqueires. Em Goioerê são 6 cotonicultores que plantarão 320 alqueires. Um produtor sozinho, Kunitero Shono, cultivará 135 alqueires no sistema de plantio para colheita mecânica.
Em Assaí ocorreu o fato mais peculiar na formação do grupo de cotonicultores: a Valcoop e a Integrada se uniram, para viabilizar e organizar os produtores, dando assistência e aval para o aluguel de uma máquina que colherá 118 alqueires de algodão que serão plantados por 14 agricultores – 7 cooperados de cada uma das duas entidades.

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