Área de trigo aparece no relatório do Usda
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sexta-feira, 14 de junho de 2002
Reportagem local 
O aumento da área no Paraná e RS está no relatório desta semana do Usda. Enquanto isso, técnico da Conab sugere homogeneidade para conseguir bons preços
O relatório do Departamento de Agricultura dos Estados Unidos (Usda) divulgado esta semana, acusa o aumento da área de trigo, nesta safra, no Paraná e Rio Grande do Sul. Segundo o Usda, a produção brasileira deverá dobrar nos próximos cinco anos com o avanço do plantio para novas áreas de Mato Grosso do Sul, Mato Grosso, São Paulo, Goiás e Bahia (não precisava exagerar).
Esta semana a semeadura do trigo no Paraná atingiu quase 85%, segundo o Departamento de Economia Rural (Deral). A área, quase 993.000 hectares é a maior dos últimos anos. Em cima dessa área de quase 1 milhão de ha, o Deral projeta uma produção de 2,28 milhões de toneladas, a maior produção desde o início dos anos 90.
O preço médio praticado pelo mercado (dados do dia 11, terça-feira) foi de R$ 19,44/saca, 21% acima do preço de junho do ano passado. Mas não foi a indústria que resolveu prestigiar o produto nacional: foi o câmbio valorizado que ajudou.
Uniformidade - O técnico da Conab, Paulo Coutinho, especialista em comercialização, sugeriu aos produtores que lotes homogêneos são o grande diferencial competitivo para o produto nacional. Segundo ele, além da qualidade, o moinho quer um produto uniforme na farinha que vai para massas em geral e pães e biscoitos.
Coutinho participou na semana passada de um debate promovido pela Corol, em Rolândia, para tirar uma série de dúvida dos produtores com relação ao mercado. Ele acha que o trigo argentino, maior concorrente, vai perder qualidade porque a crise econômica argentina está fazendo com que os produtores deixem de usar determinadas técnicas, para reduzir custos.
Mesmo assim, o técnico da Conab acredita que o Brasil deverá importar perto de 7 milhões de toneladas. Paulo Coutinho acredita que há uma tendência de alta - com preços sustentados devido à necessidade de abastecimento do mercado interno. O importante é o produtor acompanhar atentamente a paridade com o preço do trigo argentino; vender em parcelas, sem pressionar a oferta.
O aumento de 28% do preço mínimo de garantia foi uma sinalização importante do governo que deve ser vista como incentivo ao triticultor. Coutinho aponta o agricultor paranaense como um privilegiado por ser o primeiro a colocar o produto no mercado quando ainda se está no pico da entressafra. A demanda crescente para entrega futura com preços competitivos é um sinal de que a cultura do trigo é a grande opção de inverno, argumentou.
Outro participante do painel técnico da Corol, o pesquisador Sérgio Roberto Dotto, afirmou que o trigo dá bom lucro no Norte do Paraná porque há um clima apropriado e também as mais avançadas tecnologias disponibilizadas pelo Iapar e pela Embrapa. Temos grande esperança de aumentar a área de cultivo porque a nossa demanda interna é muito grande. Hoje nós produzimos 2,5 milhões de t, enquanto o mercado brasileiro consome mais de 10 milhões de t, compara.
Para os próximos quatro anos, ele acredita que o Brasil poderá produzir pelo menos 50% da necessidade do consumo interno, algo em torno de 5,5 milhões de toneladas. Para alcançar essa meta, a área plantada teria que avançar para mais de 2,7 milhões de ha. Hoje o governo gasta 1 bilhão de dólares na importação de trigo. Com o crescimento da oferta do trigo brasileiro grande parte desse dinheiro passaria a ficar aqui, gerando divisas para nossa economia, lembrou Dotto.
O presidente da Corol, Eliseu de Paula, apontou o nível do painel técnico como fator de credibilidade. A informação é hoje um insumo importante para incrementar o negócio rural, disse.


