Área de colheita de milho avança para mais de 50% no Paraná
Segundo o Deral, regiões com maior percentual são Toledo, Cascavel, Guarapuava e Irati
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sábado, 26 de julho de 2025
Segundo o Deral, regiões com maior percentual são Toledo, Cascavel, Guarapuava e Irati
Lucas Catanho - Especial para a FOLHA 

A colheita da segunda safra de milho 2024/25 segue em andamento no Paraná e, nesta semana, já alcança mais da metade da área total estimada, com 53%da área total de 2,77 milhões de hectares colhida.
Segundo relatório do Deral (Departamento de Economia Rural), órgão ligado à Seab (Secretaria Estadual de Agricultura e Abastecimento), as regiões com maior percentual de colheita no estado são Toledo (82%), Cascavel (80%), Guarapuava (75%) e Irati (75%).
O analista do Deral, Edmar Gervásio, considera que esse desempenho está ligeiramente acima da média registrada nas últimas cinco safras. “O clima está mais favorável, o que propicia um ritmo maior de colheita que nas últimas safras”, pontua.
No entanto, as condições das lavouras que ainda aguardam colheita voltaram a apresentar pequena piora. Na semana anterior, 64% das áreas estavam classificadas como em boas condições; nesta semana, esse número caiu para 62%. Já as lavouras em condição mediana aumentaram de 20% para 22%, enquanto as em situação considerada ruim ficaram estáveis em 15%.
Sobre a área de milho que ainda não foi colhida, o técnico explica que neste momento as geadas têm um impacto bastante limitado ou praticamente nulo. “É que a maior parte da área já está numa fase que não é impactada”, analisa.
Na região de Londrina, o índice de colheita atingiu a marca de 7%, bem abaixo da média estadual. "O Norte do Paraná é a região onde mais tarde se planta e naturalmente mais tarde faz a colheita. Esse comportamento está dentro da normalidade."
DESAFIOS
Sobre os desafios dos produtores de milho, o técnico destaca que, não só no Paraná, mas no Brasil todo, hoje os principais problemas com os produtos de alto volume, como milho e soja, concentram-se em dificuldades logísticas e de armazenamento.
Segundo dados da Conab (Companhia Nacional de Abastecimento), o Paraná tem hoje um déficit de armazenagem de 12,6 milhões de toneladas de grãos, sendo que o volume vem crescendo além da capacidade de silos e armazéns.
Com propriedade em Juranda, na região de Campo Mourão (onde a colheita já alcançou 70% da área total), o agricultor Paulo Vinicius Demeneck Vieira conta que já finalizou a colheita do milho segunda safra. “A estiagem pegou as plantas no período vegetativo e acabou adiantando um pouco o ciclo”, justifica.
O agricultor conta que esta safra foi de novos desafios. “Agora que estávamos nos acostumando com o manejo da cigarrinha, que é um inseto vetor de um vírus, temos uma nova doença fúngica que está afetando alguns híbridos, bipolares”, pontua.
Para enfrentar esse quadro, o produtor teve que reposicionar produtos e épocas de aplicação de inseticidas para evitar perdas, o que acabou aumentando os custos.
“Além disso, a região passou por dois períodos de estiagem, sendo um de quase 25 dias, onde as lavouras sentiram bastante e isso acabou afetando a produtividade. Quem plantou mais tarde acabou tendo produções melhores, e quem plantou ainda depois teve perdas com as geadas do final do mês passado”, relembra.
Quase toda a produção é comercializada para a cooperativa Coamo. “Como não temos armazéns próprios, o jeito mais simples e seguro é seguir este caminho”, destaca.
PLANEJAMENTO
Para alcançar o máximo em produtividade e qualidade, o produtor rural faz, antes de tudo, um planejamento prévio com base na realidade atual. “Nunca é uma receita de bolo pronta, existem variáveis como data de plantio, adubação, manejo de defensivos, quais híbridos se adaptam melhor em cada talhão e em cada data de semeadura. E isso vai se tornando uma teia de decisões. A cada variável que você mexe, há necessidade de adaptar outra.”
A segunda safra de milho neste ano na propriedade alcançou uma produtividade média de 122 sacas por hectare, em 465 hectares. “Neste ano tivemos uma boa colheita, mas até próximo do início da safra o preço estava próximo a R$ 70 a saca. Hoje está na casa de R$ 50. Nesse valor, mesmo com as produtividades até boas apesar da seca, muitos produtores vão ter dificuldade em passar no azul.”
O produtor considera que há muita área com milho plantada no estado, e como os compradores sabem que o produtor precisa vender, acabam pressionando o preço. “Quem fez contrato dos custos ou tem caixa para segurar o grão, às vezes consegue esperar mais para vender mais para frente”, conclui.


