Área de algodão cresce 34%
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sábado, 06 de dezembro de 2003
Reportagem Local 
O Paraná está plantando 40.195 há de algodão, 34% mais do que na safra 2002/03 (30.005 há), segundo dados do Departamento de Economia Rural (Deral) da Secretaria da Agricultura. As maiores áreas estão nas seguintes regiões: Umuarama, inclui Campo Mourão e Goioerê (10.177 há), Paranavaí e Maringá (4.000 ha cada), Cornélio Procópio (3.700 ha), Toledo (2.460 ha), Ivaiporã (2.900 ha) e Londrina (2.900 ha).
O plantio está quase concluído. Segundo o engenheiro agrônomo Norberto Ortigara, do Deral, na última segunda-feira o plantio atingiu 96% da área.
Ortigara disse que o algodão do Paraná é de boa qualidade e que há um esforço para revitalizar a cotonicultura como opção de renda para o produtor.
Os preços no ano passado foram remuneradores daí a expansão da área. Em fevereiro e março o preço médio da arroba em caroço foi de R$ 18,70. Depois subiu para até R$ 19,00. A Cooperativa Integrada negociou com os produtores este ano por R$ 20,00 a arroba o que deixa uma boa margem de lucro, mas os técnicos admitem que o preço pode ser melhor, dependendo do comportamento do mercado até o momento da comercialização, no primeiro trimestre do ano que vem.
O algodão tenta se organizar como cadeia produtiva. O setor sabe que o Paraná não será mais um grande produtor, como no passado, mas pretende pelo menos produzir o suficiente para atender à demanda industrial do Estado, o que implica em chegar em 2007 com uma área de 110 mil ha.
A produção entrou em declínio no contexto da desproteção da economia primária, como observou esta semana o engenheiro agrônomo Ortigara, ao ser entrevistado por este jornal.
Segundo estatísticas oficiais e dados das indústrias de descaroçamento do Paraná, o Estado chegou aos anos 70, com 705 mil há de área. Na oportunidade o algodão chegou a empregar 235 mil pessoas. O produto, sozinho, representava 8% do Valor Bruto da Produção (VBP) agrícola. Com aumento das importações a produção foi desestimulada. O Mato Grosso conseguiu ser competitivo nos últimos anos graças à produção em escala com a incorporação de grandes áreas, totalmente mecanizadas.
Mas, no Paraná, a produção foi caindo. Chegou ao fundo do poço na última safra com 30 mil ha plantados e o emprego de 10 mil pessoas (comparado à ocupação de 235 mil, até os anos 70. E o VBP que chegou a 8%, no ano passado não passou de 0,5%.
O setor urbano também perdeu. Se àquela época o algodão sustentava a atividade de 135 indústrias de esmagamento, hoje são apenas 20 unidades industriais. O Paraná produz 25 mil toneladas de pluma para um consumo anual de 86 mil t. Já o Mato Grosso prevê aumento das exporatções.
RESUMO
A realidade do algodão pode ser resumida no seguinte quadro:
- O algodão teve um papel social importante no Paraná; foi a cultura que empregou maior contingente de mão-de-obra,
- Falta de uma política de proteção à fibra brasileria, tirou a competição do produto nacional,
- Quando o mercado acenou com novas oportunidades, o Paraná havia desestruturado sua produção,
- O Mato Grosso, com produção em escala e mecanizada, tornou-se o grande produtor com poder de competição, tanto que é forte exportador,
- Há uma demanda nacional, internacional e paranaense pela matéria-prima, motivo do bom preço que prevalece desde o ano passado,
- Se o Paraná produzir pluma apenas para atender sua produção, ainda assim há espaço para expansão da cultura, sem problema da oferta ser maior que a dmeanda,
- Ainda exigente em agrotóxico, o atual cultivo tem menos impacto ambiental e à saúde das pessoas,
- É a cultura que deixa maior margem de lucro ao produtor.


