Encerrado o prazo para plantio do milho safrinha no Paraná, a área ocupada pela cultura totaliza 618 mil hectares (ha), indicando redução de 30% com relação à previsão feita pela secretaria de Agricultura e Abastecimento do Estado (Seab). A expectativa já era de redução, pois os números divulgados estimavam uma área de 898 mil ha, 20% a menos que os 1,13 milhão plantados na safra passada.
A redução se explica pelo atraso da semeadura, em função do ciclo mais longo da soja neste ano. Muitos produtores também desistiram do plantio por causa dos preços baixos do produto no mercado.
O pesquisador Antônio Carlos Gerage, da área de milho do Instituto Agropecuário do Paraná (Iapar), informou que o prazo máximo para plantar o milho safrinha sem riscos terminou no final de março. ‘‘Em algumas regiões de inverno mais rigoroso, a época tolerável se encerrou antes’’, disse.
Preços baixosA engenheira agrônoma Rossana Catiê Godoy, da Seab, classificou como ‘‘baixíssimo’’ o preço da saca do milho, que está sendo comercializado por R$ 7,13. De acordo com ela, o valor que traria compensação ao agricultor seria de aproximadamente R$ 9 a saca. Em alguns lugares, acrescentou, os preços médios praticados situam-se abaixo do mínimo, como é o caso das regiões de Cornélio Procópio e Ivaiporã (R$ 6,80), e Jacarezinho (R$ 6,70). ‘‘O preço deve melhorar a partir do 2º semestre’’, prevê.
Gerardi acredita que parte das áreas inicialmente reservadas para o milho safrinha serão ocupadas pelo trigo. A falta de sementes do cereal no mercado, porém, vai dificultar o plantio. ‘‘Se a oferta de sementes de trigo fosse suficiente, a área ocupada pelo safrinha seria ainda menor’’, analisou.
ColheitaApesar da conjuntura, o Paraná deverá colher 116% a mais de milho safrinha em relação à safra passada, segundo estimativas da Seab. O grande aumento ocorreu devido à quebra de produção em 1999, que foi de 63%, ocasionada pelas secas e geadas que atingiram o Estado naquele ano. Se a área prevista para o plantio se confirmasse, seriam produzidas 2,8 milhões de toneladas do produto neste ano, de acordo com dados da secretaria. Na safra anterior, foi colhido 1,3 milhão de toneladas.
A Organização das Cooperativas do Estado do Paraná (Ocepar) acha que é muito cedo para divulgar a produção do milho safrinha, ainda mais um número tão alto como o mencionado. O presidente da Ocepar, João Paulo Koslovski, teme que a área plantada do produto tenha uma queda superior aos 20% anunciados, devido aos baixos preços praticados.
O Paraná é o maior produtor do País, com uma participação de 50% no volume total brasileiro. O destaque é para a Região Oeste do Estado, com 40% da produção estadual, seguida pela Região Norte, com 34% e no Centro-Oeste, 15%.
Intervenção A Seab anunciou que o governo federal disponibilizou R$ 9 milhões para operações de Aquisições do Governo Federal (AGF) referentes ao milho no Paraná. O dinheiro já está disponível nas agências do Banco do Brasil e pode ser acessado pelos pequenos produtores, conforme informações do Departamento Economia Rural (Deral). Segundo a agrônoma Rossana, os recursos são suficientes para a compra de 74,1 mil toneladas de milho e devem contribuir para enxugar o mercado, evitando a queda maior do preço do produto.
O pesquisador Antônio Carlos Gerage considera que a intervenção veio ‘‘tarde demais’’. Para ele, o governo deveria ter liberado os recursos logo que o preço começou a cair, para regular o mercado.
Perdas no milhoA Emater-PR está organizando um projeto que vai apontar as perdas da safra de milho. A previsão é que no início de junho os resultados estejam prontos. O órgão planejava distribuir entre os produtores, na semana passada, formulários com questões sobre área plantada, colheita, tipos de máquinas utilizadas e tempo de uso. Cerca de 120 fichas devem ser enviadas, que correspondem ao número do maquinário utilizado para o ensacamento.
O extensionista estadual da Emater, Antoninho Carlos Maurina, disse que a análise é inédita no Estado, segundo dados da Embrapa. Estima-se que o valor de grãos perdidos seja alto, por não se ajustarem às máquinas ou pela simples queda destes.
Safra de grãos A Secretaria Estadual da Agricultura e do Abastecimento (Seab) anunciou que subiu para 20,67 milhões de toneladas a estimativa de colheita de grãos para esta safra de verão no Paraná. O volume é 35% maior que o da safra anterior.
De acordo com o Deral, a expectativa positiva se explica pelas condições climáticas favoráveis e pela tecnologia empregada. O milho normal continua sendo o maior responsável pelos resultados esperados para o período. De 1,84 milhão de hectares de área plantada deverão resultar 8,96 milhões de toneladas de grão, 52% a mais que na safra passada. A produtividade deverá ficar em 4.800 quilos por hectare. No período anterior, o rendimento foi de 4.500 kg/ha.

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